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Posts Tagged ‘Copa do Mundo de 1998’

Holanda 2 X 1 Eslováquia

O confronto entre as duas seleções europeias colocou frente a frente equipes com objetivos bem distintos. Os holandeses, mais uma vez, chegaram à Copa do Mundo como favoritos e com um time repleto de bons jogadores. Venceram os três primeiros duelos e alcançaram as oitavas de final de forma invicta, aumentando ainda mais a expectativa. A Eslováquia, por sua vez, não tinha grandes perspectivas no Mundial, mas caminhou quietinha e surgiu como uma zebra no grupo da Itália. Em um jogo com várias oportunidades para os dois lados, a Holanda foi melhor e venceu por 2 a 1, conquistando uma vaga nas quartas de final do torneio.

O esquema ofensivo adotado pelo técnico Bert Van Marwijk foi mantido, exceto por uma substituição e tanto. Depois de se contundir às vésperas do Mundial, fazer um tratamento ultra-intensivo e jogar poucos minutos na última partida contra Camarões, o meia Arjen Robben, enfim, jogou seu primeiro jogo (quase) completo. E como era de se esperar, o astro do Bayern de Munique não decepcionou e comandou a ‘Laranja Mecânica‘ no triunfo desta segunda-feira, em Durban.

A Eslováquia sabia que seu papel na competição já estava cumprido, mas tratou de buscar outro feito inédito para melhorar sua fama de azarão. Nos minutos iniciais da partida, os eslovacos trocavam bons passes e dominavam o meio de campo, enquanto a Holanda apenas estudava seu adversário. Porém, não demorou muito para que os holandeses tomassem as rédeas da situação. Aos dez, em rápido contra-ataque, Sneijder invadiu a área eslovaca e chutou fraco, para tranquila defesa de Mucha.

A superioridade foi traduzida em gol aos 17 minutos. Sneijder deu um bicão para frente, Robben correu atrás da bola, dominou e, com a defesa desguarnecida, fez a sua habitual jogada. Cortou para o meio, fintou dois zagueiros e, de esquerda, mandou no contrapé do goleiro, que não teve chances de evitar a abertura do placar.

Com a vantagem, a Holanda diminuiu o ritmo e foi beneficiada pela cautelosa postura da Eslováquia. Assim, as chances perigosas no primeiro tempo foram escassas e nada mudou. Na segunda etapa, os holandeses voltaram um pouco mais ligados e trataram de tentar resolver a parada. Aos cinco, Robben fez jogada idêntica a do primeiro gol, mas o chute cruzado foi perfeitamente defendido por Mucha. No minuto seguinte, o habilidoso meia invadiu a área pela esquerda e deu de bandeja para Van Persie, que chutou em cima do goleiro.

Com a pressão do adversário, a Eslováquia saiu de trás e fez a partida melhorar. Aos 21, Stoch fez boa jogada pela esquerda, se livrou da zaga e, na entrada da área, chutou por cima. Um minuto depois, outra oportunidade foi desperdiçada. Kucka deixou Vittek cara a cara com o goleiro Stekelenburg, que fez incrível defesa e evitou o empate. O castigo dos eslovacos veio aos 38 minutos. Em jogada rápida, Kuyt tirou a bola da mão do goleiro dentro da área, se posicionou e rolou para Sneijder aumentar o placar e praticamente garantir a classificação.

Nos minutos finais, ainda deu tempo de os holandeses abusarem e perderem algumas chances de ampliar. Já nos acréscimos, a Eslováquia conseguiu fazer seu gol de despedida do Mundial. Jakubko recebeu a bola dentro da área e, ao tentar driblar o goleiro holandês, foi derrubado. Com o pênalti assinalado, o atacante Vittek cobrou, fez seu quarto e último gol na Copa do Mundo, empatou na artilharia com Higuaín, da Argentina, e o juiz terminou a partida.

A ‘Laranja Mecânica‘ não apresentou um futebol glamoroso, mas continua bastante eficiente. Em alguns momentos das partidas, fica claro que a Holanda só joga para o gasto e, quando se esforça um pouquinho, consegue os gols de suas vitórias. Hoje não foi diferente. O sonho de conquistar uma Copa do Mundo pela primeira vez segue firme para os holandeses.

Brasil 3 X 0 Chile

A disputa sul-americana em solo sul-africano tinha um favorito. O pentacampeão Brasil repetiu o duelo das oitavas de final em 1998, quando venceu por 4 a 1, e enfrentou novamente a Seleção Chilena. Como vem fazendo neste Mundial, a Seleção Brasileira não apresentou um futebol empolgante, mas com a eficiência já conhecida não teve trabalho algum para vencer por 3 a 0, eliminar um antigo freguês e ainda obter uma vaga nas quartas de final da Copa do Mundo.

Os comandados do técnico Marcelo ‘El Loco‘ Bielsa vieram do grupo H, onde obtiveram duas vitórias e só perderam para a favorita Espanha. O bom rendimento na primeira fase mereceu elogios da imprensa pela objetividade do time, com um ataque veloz e abusado. Assim, o treinador resolveu manter o esquema tático com três atacantes, dois meias e um volante, além de quatro defensores e o erro fatal foi esse. Com a escalação ofensiva, o Chile tentou jogar de igual para igual com o Brasil, conhecido por sua força defensiva e, principalmente, pela sua mortalidade nos contra-ataques. Não deu outra!

O primeiro lance de perigo aconteceu aos oito minutos. Gilberto Silva recebeu a bola e, de fora da área, arriscou um chute forte, que obrigou o goleiro Claudio Bravo a fazer boa defesa. Aliás, o volante fez outra boa partida. Mesmo discreto em campo, Gilberto vem provando que as críticas que recebeu antes do Mundial foram injustas. Lutador, o jogador do Panathinaikos dá o primeiro combate nos avanços dos adversários e facilita as coisas para Juan e Lúcio.

Aos 14, Ramires, que fez seu primeiro jogo como titular no torneio, chutou de longe e o goleiro chileno precisou se esticar todo para segurar a bola. A movimentação dos brasileiros anulava a equipe do Chile e, assim, o primeiro gol foi marcado. Depois de pressionar e conquistar seis escanteios em pouco tempo, numa cobrança de córner, Maicon levantou a bola na área e o zagueiro Juan, de cabeça, abriu o placar, aos 34. O gol era o que o Brasil precisava. Com a vantagem no placar, a equipe de Dunga melhorou a qualidade dos passes e os jogadores pareciam mais tranquilos.

Três minutos após abrir o placar, a Seleção Brasileira fez sua típica jogada. Em rápido contra-ataque, Robinho avançou pela esquerda do campo, tocou para Kaká que, de primeira, enfiou para Luís Fabiano. O atacante recebeu, driblou o goleiro chileno e marcou o segundo tento brasileiro, o terceiro dele na Copa do Mundo. Os dois gols na primeira etapa praticamente garantiram a vitória do Brasil e a única preocupação para a segunda etapa era se cuidar para não levar cartões amarelos bobos, principalmente Juan, Ramires e Luís Fabiano, algo que, se acontecesse, tirá-los-ia do próximo jogo.

Com a eminente eliminação, ‘El Loco‘ Bielsa fez duas alterações no início da segunda etapa para tentar reverter o quadro. Rodrigo Tello saiu para a entrada de Pablo Contreras, enquanto o inoperante Mark Gonzalez deu lugar para Valdivia. Assim, o Chile até tentou pressionar o Brasil, mas o zagueiro Lúcio, em outra jornada inspirada, venceu todos os duelos e não deixou Júlio César se preocupar.

Sem mudanças, a Seleção Brasileira voltou disposta a ampliar o marcador e conseguiu. Ramires, que jogou na vaga de Felipe Mello, fez a equipe melhorar bastante no meio campo. Sua rapidez, aliada com a habilidade e os bons desarmes, fez até mesmo Kaká evoluir. Assim, em uma de suas arrancadas, aos 14 minutos, o ex-cruzeirense correu do meio de campo até a entrada da área e, entre três marcadores, rolou a bola para Robinho marcar o terceiro e sepultar as esperanças chilenas.

Aos 28, Robinho quase ampliou em rápido avanço pela direita e chute cruzado levemente desviado por Claudio Bravo. Com o resultado e a classificação, o Brasil tratou de cadenciar o ritmo a fim de se poupar para o próximo duelo. Ainda deu tempo de Ramires, numa besteira, cometer uma falta desnecessária no campo de ataque e tomar cartão amarelo, algo que lhe tirou das quartas de final.

O Brasil fez um bom jogo, longe de todo o seu potencial ainda, é verdade, mas pouco a pouco a equipe avança sem muito esforço. Hoje, a zaga novamente mereceu destaque. Juan e Lúcio transmitem muita tranquilidade para os companheiros e irritam os adversários por serem superiores na grande maioria dos lances. A qualidade da dupla é tamanha que, em quatro jogos disputados até aqui, os dois cometeram apenas quatro faltas, ou seja, uma média de uma por partida (Juan fez uma e Lúcio três), um número muito relevante para zagueiros.

Outro acerto na partida foi feito por Dunga. O treinador brasileiro não pôde contar com Felipe Mello e Elano, ambos por contusão, e assim, escalou Ramires e Daniel Alves. Com os dois em campo, o time ficou mais leve, melhorou a qualidade dos passes e também aumentou a velocidade. O jogador do Barcelona, por exemplo, foi o atleta em campo que mais deu passes na partida: 41, errando apenas quatro deles.

A Seleção Brasileira ainda precisa melhorar, é óbvio. Mas diferente do que havia feito até aqui, hoje o time engrenou, não tomou sustos e foi totalmente eficiente. Com a classificação garantida, o próximo adversário é outro velho conhecido: a Holanda. Essa será a quarta vez que brasileiros e holandeses se enfrentam em Copas do Mundo. A primeira vez aconteceu em 1974, no Mundial da Alemanha, e o Brasil foi derrotado por 2 a 0 para o fantástico ‘Carrossel Holandês‘, comandando pelo genial Johan Cruyff.

Vinte anos depois, os sul-americanos deram o troco e derrotaram a Holanda por 3 a 2, nas quartas de final da Copa do Mundo dos Estados Unidos. O último confronto valeu uma vaga na decisão da Copa da França, em 1998, e foi vencido pelo Brasil, nos pênaltis, com show do goleiro Taffarel. O duelo decisivo deste ano acontecerá na próxima sexta-feira (2/7), no estádio Nelson Mandela Bay, em Porto Elizabeth, às 11h.

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Arthur Antunes Coimbra.

Mundialmente, Zico.

Nascido em 1953, na cidade do Rio de Janeiro, o ex-jogador e atual técnico foi um dos principais jogadores brasileiros em todos os tempos. Começou a carreira aos 14 anos no Flamengo e pelo clube da Gávea fez história. Foi o grande líder da célebre equipe rubro-negra dos anos 70 e 80, conquistando inúmeros títulos como seis campeonatos cariocas (1972, 1974, 1978, 1979, 1981 e 1986), quatro campeonatos brasileiros (1980, 1982, 1983 e 1987), além das principais conquistas do clube da Gávea na história, ambas em 1981, com os títulos da Copa Libertadores e do Mundial Interclubes. Zico é o maior artilheiro da história do Flamengo com 508 gols em 731 partidas disputadas. Com 333 tentos anotados, o ex-jogador também é o maior artilheiro de todos os tempos no Maracanã.

O ‘Galinho de Quintino’ (apelido recebido pelo corpo franzino e por ter nascido no bairro carioca de Quintino) também atuou pela Udinese, na Itália e pelo Kashima Antlers, no Japão, além de ter disputado três Copas do Mundo pela Seleção Brasileira, nos anos de 1978, 1982 e 1986.

Depois de pendurar as chuteiras, Zico teve uma passagem como Coordenador técnico da Seleção Brasileira na Copa de 1998 e se tornou treinador, tendo passado por Kashima Antlers, do Japão; CFZ (clube fundado por ele no Rio de Janeiro); Seleção Japonesa; Fenerbahçe, da Turquia; Bunyodkor, do Uzbequistão; CSKA, da Rússia e Olympiakos, da Grécia.

Em sabatina do jornal Folha de São Paulo, realizada na manhã desta terça-feira no Teatro Folha, Zico foi questionado sobre diversos assuntos pelos jornalistas presentes e também pela platéia. O MFC esteve presente na entrevista e abaixo reproduz os principais trechos da entrevista desde a fatídica partida contra a França na final da Copa de 1998, passando pelas possíveis convocações de Neymar, Ronaldinho Gaúcho e Adriano para o mundial de 2010, até a sua opinião contundente quanto ao continuísmo dos presidentes das principais entidades que gerem o esporte no país.

CASO ‘RONALDO’ NA COPA DO MUNDO DE 1998

Às cinco horas da tarde, o Ronaldo estava mais ou menos uns 50 metros na minha frente, ele parou na frente da porta do refeitório e ficou como se tivesse fazendo um aquecimento, levantando a perna e tal. Então eu falei: “Pô, Ronaldo. O jogo é às 21h e você está fazendo aquecimento agora? É muito cedo”. Ele respondeu: “Eu não sei o que me aconteceu. Estou todo dolorido, parece que eu recebi uma surra, minha musculatura está dura”. Depois do lanche das cinco horas, foi feita uma reunião entre a comissão técnica. O Dr. Lídio (Lídio Toledo, médico da Seleção Brasileira na época) explicou o que o Ronaldo teve para todos nós e falou: “Zagallo, ele não tem condição de jogo”. Então ele estava vetado para a decisão. Depois o Ronaldo foi para o hospital e o Zagallo escalou o Edmundo para jogar a final em seu lugar. Realmente fizemos o que devia ser feito. Fomos para o estádio, havia uma tensão muito grande.  No ônibus indo para o estádio, foi difícil o Zagallo explicar para o grupo porque o Ronaldo não iria jogar. Ele apenas deu muita força para o Edmundo e fez aquela preleção que ele sempre faz. Já no estádio, houve uma reunião no vestiário. Eu participei e quando cheguei lá, em um canto estava o Ronaldo, de calção e meia, no outro estava o Américo Faria (supervisor da CBF), Zagallo, Lídio Toledo, Ricardo Teixeira (presidente da CBF) e o Fábio Koff (chefe da delegação na Copa do Mundo de 1998 e atual presidente do Clube dos 13) todos sentados e o Ronaldo em pé, dizendo: “Eu fiz os exames, estou bem e não tenho nada, vou jogar”. Aí o Dr. Lídio ficou quieto e o Zagallo perguntou: “Você está bem mesmo?” Ele respondeu: “Estou!” Então o Zagallo disse para ele ir aquecer para entrar em campo. Com tudo isso, se tivesse alguém que poderia ter vetado o jogador para aquela partida, seria o médico. Mas como o médico não falou nada, acho que o Zagallo tomou a decisão que deveria ser tomada. Essa é a versão que eu vi, que eu participei. E essa minha versão vai ser a de 1998, de 2000, 2010 e eu vou ficar velhinho contando a mesma coisa, que foi o que eu vi. Eu não vi outras coisas. Aí cabe as pessoas acreditarem ou não. Com certeza essa questão toda foi fundamental para a Seleção ter se comportado daquela forma dentro de campo. Esse foi um problema que realmente foi difícil de solucionar e acho que o outro grande erro foi esconder isso, pois deu margem para cada hora surgir uma nova versão do caso. Eu escutei declarações que o Ronaldo não ia jogar porque tinha problema no tornozelo, depois que a culpa era de um cozinheiro marroquino, que a Nike pagou o Brasil para entregar a Copa do Mundo, etc. Cada um criou a sua versão da sua maneira e acho que faltou naquele momento, quando aconteceu o episódio, chamar todo mundo, inclusive o presidente da CBF e procurar uma solução para o caso. Se tivesse acontecido na véspera da partida, talvez fosse mais fácil de resolver o problema, mas como aconteceu depois do almoço no dia do jogo, foi difícil. Então, tudo isso contribuiu para aquela atuação pífia da Seleção, acho que poderíamos até perder, pois a Seleção Francesa tinha um ótimo time, mas é inadmissível que uma seleção que jogou o que jogou na semifinal contra a Holanda, numa partida brilhante e, de repente, quatro dias depois, não sabia o que fazia em campo. Eu acredito que aquilo foi um fator decisivo na atuação da Seleção Brasileira.

NEYMAR

Em 1974, eu estava com 21 anos e já jogava o Campeonato Brasileiro, inclusive recebi o prêmio “Bola de Ouro”, da revista Placar. É lógico que eu estava totalmente preparado para jogar aquela Copa do Mundo, mesmo sendo jovem. (Zagallo era o treinador brasileiro e não convocou Zico para o mundial). O mesmo caso ocorre atualmente com o Neymar, do Santos. Ele está totalmente preparado para ir à Copa. Ele é um jogador diferenciado, do mais alto nível, da maior qualidade e, infelizmente, no processo de testes que o Dunga fez nos últimos anos, quando o treinador deu chances para muita gente nesse período, o Neymar não tinha aparecido ainda. Mas se ele apareceu agora e é bom, acho que tem que levar. Esse é o jogador que eu levaria e acho que ele poderia modificar e ajudar muito a Seleção. Não apenas levá-lo para adquirir experiência e amadurecê-lo para daqui quatro anos, não é isso. Então, se o cara é bom, pode servir como mais uma opção para o treinador, ele tem que ir independentemente da idade. Pela postura dele em campo, você percebe que ele está pronto e pode ser aproveitado.

ADRIANO

Eu levaria o Adriano para a Copa do Mundo. Se ele estiver com o estado de espírito consciente como um atleta para jogar uma competição dessas, ele tem que ir. E na Seleção me parece que até hoje ele não teve problemas. Agora, realmente hoje ele está mais pesado e, por isso, ele está numa condição abaixo para numa Copa do Mundo enfrentar os europeus. Então ele deve entrar num processo de perceber que é importante para o Brasil e que tem capacidade para isso. Se ele colocar isso na cabeça, nesses dois meses aí que faltam para o mundial, ele pode reunir condições e ajudar o Brasil.

RONALDINHO GAÚCHO

Eu não creio que o Dunga não convoque o Ronaldinho por uma questão pessoal. A questão que eu discuto é que você não pode abrir mão de um jogador que foi duas vezes o melhor jogador do mundo. Não é qualquer um que consegue isso. O Ronaldinho com toda essa qualidade, o que todo mundo espera é que ele continue fazendo o que sempre fez. Vendo o Messi fazer tudo o que está fazendo, a gente sabe que ele também pode fazer, tem capacidade para isso. O que eu não quero ver é o Ronaldinho limitado, como ele está hoje. Limitado a jogar numa certa faixa do campo, em pegar a bola, dar um drible pro meio e jogar a bola para a área. Quero que ele tenha uma participação intensa. O problema é que nos últimos dois anos, ele se acomodou muito em fazer duas ou três coisas numa partida e não ter uma participação intensa. O problema pode ter sido a participação dele nas Olimpíadas de 2008, quando ele não rendeu o esperado. Dali para cá, o Ronaldinho não teve muitas oportunidades. Será que aconteceu alguma coisa? Não sei. O problema está aí. Pode ter acontecido alguma coisa e o Dunga perdeu a confiança nele. Mas isso só o treinador pode responder. Como jogador, pelo o que ele já mostrou, deve ir. Mesmo não atravessando um bom momento assim como o Robinho, Nilmar e Luís Fabiano, que são titulares absolutos. Até mesmo o Kaká que não está jogando, o Felipe Mello está cheio de problemas na Juventus e na reserva. O Júlio Baptista, Doni e Josué também estão na reserva. Enfim, tudo isso é uma escolha do técnico.

FUTEBOL BRASILEIRO X FUTEBOL EUROPEU

Em termos de gestão, nós (brasileiros) perdemos nossos principais jogadores. É inadmissível que uma Seleção Brasileira não tenha cinco jogadores que atuem aqui no Brasil. Então isso aí é o que? Má gestão. Você não tem condições econômicas para manter esses jogadores. Isso é totalmente diferente do que acontece na Europa. Por exemplo, os jogadores da Holanda não saem de lá para jogar na Inglaterra ou na Espanha por uma má gestão dos clubes holandeses ou por questões financeiras. Eles saem por visibilidade. É diferente. A maioria dos jogadores brasileiros saem pela parte financeira acima de tudo. O Campeonato Brasileiro é um dos mais difíceis do mundo. Quando começa a competição, é fácil apontar 15 times favoritos. Ele pode ser o campeão ou ser o décimo quinto. Isso é o equilíbrio. Lá fora não acontece isso. Na Espanha, por exemplo, quantos anos o título ficou com o Barcelona e o Real Madrid? Uma vez ou outra aparece um time diferente como apareceu o La Coruña uma vez. Na Itália é Milan, Juventus ou Internazionale. E todo mundo fala do futebol italiano, mas são sempre os mesmos que ganham. Na Holanda é o PSV e o Ajax. Na Turquia é o Galatasaray, Besiktas ou Fenerbahçe. No Brasil não. Aqui é uma dificuldade muito maior. Essa é a questão. A CBF também tem uma parcela de culpa, pois não paga um tostão para trazer os jogadores para a Seleção. Imagina se tivesse que pagar ao Real Madrid para trazer o Kaká ou ao Sevilla pelo Luís Fabiano? Então, a CBF quer mais é que os jogadores vão para fora mesmo. Além disso, a entidade poderia ajudar mais os clubes e fazer um calendário melhor, porque o jogador brasileiro gosta de jogar no Brasil. Se eles tiverem uma estrutura boa para poder atuar bem, eles jogam aqui. Isso tudo é o motivo por termos que ficar assistindo os campeonatos dos outros países.

CONTINUISMO DOS DIRIGENTES BRASILEIROS

Eu penso que não é possível que só tenha uma pessoa para gerir as entidades em cada esporte brasileiro. As pessoas têm competência, mas ficar 20 anos como o Ricardo Teixeira está na CBF e o Carlos Arthur Nuzman no COB (Comitê Olímpico Brasileiro). Agora o Fábio Koff é reeleito no Clube dos 13. Pô, não é possível que só tenham essas pessoas para gerenciar e administrar. Que eles conseguiram resultados através da competência, isso é óbvio, mas existem outras pessoas também que podem dar sua contribuição. Com isso, nem surgem novos candidatos a esses cargos, pois sabem que vão perder e serão apenas mais um.

Nota: Ricardo Teixeira preside a CBF desde 1989, enquanto Carlos Arthur Nuzman comanda o COB desde 1995.

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