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Posts Tagged ‘Fábio Koff’

Andres Sanches é presidente do Corinthians desde outubro de 2007, quando substituiu Alberto Dualib, que comandou o clube por incríveis 14 anos e renunciou o cargo depois de inúmeros escândalos e problemas administrativos.  Em 2009, Andres foi reeleito por mais três anos e afirma categoricamente sempre que pode que não ficará nenhum dia a mais depois do término de seu mandato. Essa afirmação, é óbvio, tem tons políticos. Os rumores que o atual presidente corintiano é um dos mais indicados para assumir o comando da CBF crescem a todo instante. Uma das evidências é que Andres foi o escolhido para ser o chefe da delegação brasileira na Copa do Mundo de 2010.

O presidente alvinegro é muito contestado por aí. De fato, deve ser difícil uma pessoa apaixonada por um clube, estar no posto mais alto da agremiação e saber lidar com a razão muitas vezes em detrimento da emoção. Andres foi eleito presidente em uma situação extremamente complicada. Herdou uma gestão deficiente, com altas dívidas e logo que entrou o Corinthians foi rebaixado para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro. O presidente foi muito importante na reestruturação do clube, no retorno do Timão à elite do futebol nacional e também com inúmeros projetos de marketing bem sucedidos: como a rede de lojas Poderoso Timão e, principalmente, com a contratação do fenômeno Ronaldo.

Mas ainda há muita coisa errada no clube. Denúncias de favorecimento de empresários e ganhos altos de porcentagens na venda de jogadores, entre outras. Depois da eliminação na Copa Libertadores da América no ano do centenário, muita coisa deve mudar no Corinthians. Ou pelo menos devia. Abaixo você saberá porque é muito provável que nada mude.

Em meio a aspectos positivos e negativos, Andres estará ausente do Corinthians durante a Copa do Mundo. Ele exercerá um cargo simbólico na África do Sul, algo meramente político. Chefe de delegação não manda nada, falando o português claro. Não faz a seleção perder e nem ganhar. Esta lá apenas para fazer número. Tantos outros cartolas já ocuparam o ‘cargo’ que Andres ocupará no mundial. Paulo Machado de Carvalho, João Havelange, Mustafá Contursi, Fábio Koff, Marco Polo Del Nero, entre outros. E nenhum deles interferiu diretamente no sucesso ou no fracasso.

O que chama atenção no caso de Andres Sanches foi uma entrevista que ele concedeu a jornalista Mônica Bergamo, do jornal Folha de São Paulo, publicada nesta segunda-feira (24/05). Entre assuntos variados, Andres deixou claro sua filosofia de trabalho no clube, praticamente confirmou que os dias de Ricardo Teixeira no comando da CBF estão contados e, pasmem, evidenciou qual é a melhor formula para lucrar no futebol. Para ler a esclarecedora entrevista de Andres Sanches na íntegra, clique aqui: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2405201006.htm

A colunista do jornal questionou Andres Sanches sobre uma frase que ele próprio disse no passado: “É só não roubar muito”. A resposta do presidente corintiano não poderia ser mais emblemática: “O termo não é esse, vamos dizer assim, publicamente. Mas é ter um limite na vida”. Limite? Qual limite? Então quer dizer que não pode roubar muito na administração de um clube, mas se tiver o tal limite, não há problema? Essa frase vai de encontro com todas as ações de Andres no comando do Corinthians. Afeta os apaixonados torcedores que chegam a pagar até R$600 por ingresso em jogos do clube. O comentário imbecil do mandatário alvinegro afere toda a nação alvinegra, em todos os aspectos.

Num outro momento da entrevista, Andres afirma que ninguém é santo, tecendo o chulo comentário: “Não quero dizer que não sou santo porque posso roubar. Estou dizendo num geral de sociedade como um todo”. Para complementar, enfatiza o que todos nós sabemos: “Já teve muito mais (roubo no futebol). O futebol era uma caixa preta e hoje ela já não é mais preta, é cinza. Tá branqueando”. Inacreditável a normalidade com que Andres trata assuntos que envolvem milhões de pessoas, que são lesadas, enganadas e prejudicadas em troca do enriquecimento do dirigente.

Outro trecho bastante polêmico é sobre o atacante Ronaldo. Quando questionado se o fenômeno está gordo, Andres não hesita e solta a seguinte pérola: “Se ele estivesse 100%, bonitão, 70 kg, blá-blá-blá, você acha que ele tava aqui no Corinthians? E no Brasil? Ele tava na Europa!”. Um absurdo tratar um assunto tão importante como esse com tanta falta de comprometimento. É óbvio que Ronaldo está há muito tempo fora do peso ideal e cada dia mais parece não ter condições de jogar futebol. Mas se a carreira do jogador está próximo do final, é interessante contar com um jogador como ele? Para Andres sim, afinal: “Você tem que se contentar com aquilo que pode dar e receber. Eu tô contente com o que ele tá dando…”. O futebol do Corinthians é completamente prejudicado pela falta de preparo físico de Ronaldo, que mesmo sem ter condições para disputar uma pelada, é titular absoluto do time. Mas o presidente corintiano não está nem aí para isso, afinal, os contratos de marketing e patrocínios das camisas lhe rendem algo jamais imaginado no futebol brasileiro. Mais uma vez, o elenco é deixado de lado.

As baboseiras proferidas por Andres Sanches não param por aí. Quem quiser ler e se irritar ainda mais, deve clicar no link exposto acima. É inadmissível que o presidente de um dos clubes mais tradicionais do mundo pense e aja dessa maneira. Lamentável, para não dizer outra coisa. ‘Todas’ as coisas boas realizadas, vão por água abaixo num piscar de olhos, depois de duas ou três frases ditas por ele. Esse será o comandante chefe da nossa delegação na África do Sul. Torçamos para que ele não influencie em nada mesmo, porque senão…

E você torcedor corintiano, o que pensa sobre essas declarações? Quem não torce pelo Corinthians, sabe bem que a grande maioria dos dirigentes pensa da mesma forma que Andres Sanches. Qual é a sua opinião sobre isso? Externe seus sentimentos sobre essa pouca vergonha!

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Arthur Antunes Coimbra.

Mundialmente, Zico.

Nascido em 1953, na cidade do Rio de Janeiro, o ex-jogador e atual técnico foi um dos principais jogadores brasileiros em todos os tempos. Começou a carreira aos 14 anos no Flamengo e pelo clube da Gávea fez história. Foi o grande líder da célebre equipe rubro-negra dos anos 70 e 80, conquistando inúmeros títulos como seis campeonatos cariocas (1972, 1974, 1978, 1979, 1981 e 1986), quatro campeonatos brasileiros (1980, 1982, 1983 e 1987), além das principais conquistas do clube da Gávea na história, ambas em 1981, com os títulos da Copa Libertadores e do Mundial Interclubes. Zico é o maior artilheiro da história do Flamengo com 508 gols em 731 partidas disputadas. Com 333 tentos anotados, o ex-jogador também é o maior artilheiro de todos os tempos no Maracanã.

O ‘Galinho de Quintino’ (apelido recebido pelo corpo franzino e por ter nascido no bairro carioca de Quintino) também atuou pela Udinese, na Itália e pelo Kashima Antlers, no Japão, além de ter disputado três Copas do Mundo pela Seleção Brasileira, nos anos de 1978, 1982 e 1986.

Depois de pendurar as chuteiras, Zico teve uma passagem como Coordenador técnico da Seleção Brasileira na Copa de 1998 e se tornou treinador, tendo passado por Kashima Antlers, do Japão; CFZ (clube fundado por ele no Rio de Janeiro); Seleção Japonesa; Fenerbahçe, da Turquia; Bunyodkor, do Uzbequistão; CSKA, da Rússia e Olympiakos, da Grécia.

Em sabatina do jornal Folha de São Paulo, realizada na manhã desta terça-feira no Teatro Folha, Zico foi questionado sobre diversos assuntos pelos jornalistas presentes e também pela platéia. O MFC esteve presente na entrevista e abaixo reproduz os principais trechos da entrevista desde a fatídica partida contra a França na final da Copa de 1998, passando pelas possíveis convocações de Neymar, Ronaldinho Gaúcho e Adriano para o mundial de 2010, até a sua opinião contundente quanto ao continuísmo dos presidentes das principais entidades que gerem o esporte no país.

CASO ‘RONALDO’ NA COPA DO MUNDO DE 1998

Às cinco horas da tarde, o Ronaldo estava mais ou menos uns 50 metros na minha frente, ele parou na frente da porta do refeitório e ficou como se tivesse fazendo um aquecimento, levantando a perna e tal. Então eu falei: “Pô, Ronaldo. O jogo é às 21h e você está fazendo aquecimento agora? É muito cedo”. Ele respondeu: “Eu não sei o que me aconteceu. Estou todo dolorido, parece que eu recebi uma surra, minha musculatura está dura”. Depois do lanche das cinco horas, foi feita uma reunião entre a comissão técnica. O Dr. Lídio (Lídio Toledo, médico da Seleção Brasileira na época) explicou o que o Ronaldo teve para todos nós e falou: “Zagallo, ele não tem condição de jogo”. Então ele estava vetado para a decisão. Depois o Ronaldo foi para o hospital e o Zagallo escalou o Edmundo para jogar a final em seu lugar. Realmente fizemos o que devia ser feito. Fomos para o estádio, havia uma tensão muito grande.  No ônibus indo para o estádio, foi difícil o Zagallo explicar para o grupo porque o Ronaldo não iria jogar. Ele apenas deu muita força para o Edmundo e fez aquela preleção que ele sempre faz. Já no estádio, houve uma reunião no vestiário. Eu participei e quando cheguei lá, em um canto estava o Ronaldo, de calção e meia, no outro estava o Américo Faria (supervisor da CBF), Zagallo, Lídio Toledo, Ricardo Teixeira (presidente da CBF) e o Fábio Koff (chefe da delegação na Copa do Mundo de 1998 e atual presidente do Clube dos 13) todos sentados e o Ronaldo em pé, dizendo: “Eu fiz os exames, estou bem e não tenho nada, vou jogar”. Aí o Dr. Lídio ficou quieto e o Zagallo perguntou: “Você está bem mesmo?” Ele respondeu: “Estou!” Então o Zagallo disse para ele ir aquecer para entrar em campo. Com tudo isso, se tivesse alguém que poderia ter vetado o jogador para aquela partida, seria o médico. Mas como o médico não falou nada, acho que o Zagallo tomou a decisão que deveria ser tomada. Essa é a versão que eu vi, que eu participei. E essa minha versão vai ser a de 1998, de 2000, 2010 e eu vou ficar velhinho contando a mesma coisa, que foi o que eu vi. Eu não vi outras coisas. Aí cabe as pessoas acreditarem ou não. Com certeza essa questão toda foi fundamental para a Seleção ter se comportado daquela forma dentro de campo. Esse foi um problema que realmente foi difícil de solucionar e acho que o outro grande erro foi esconder isso, pois deu margem para cada hora surgir uma nova versão do caso. Eu escutei declarações que o Ronaldo não ia jogar porque tinha problema no tornozelo, depois que a culpa era de um cozinheiro marroquino, que a Nike pagou o Brasil para entregar a Copa do Mundo, etc. Cada um criou a sua versão da sua maneira e acho que faltou naquele momento, quando aconteceu o episódio, chamar todo mundo, inclusive o presidente da CBF e procurar uma solução para o caso. Se tivesse acontecido na véspera da partida, talvez fosse mais fácil de resolver o problema, mas como aconteceu depois do almoço no dia do jogo, foi difícil. Então, tudo isso contribuiu para aquela atuação pífia da Seleção, acho que poderíamos até perder, pois a Seleção Francesa tinha um ótimo time, mas é inadmissível que uma seleção que jogou o que jogou na semifinal contra a Holanda, numa partida brilhante e, de repente, quatro dias depois, não sabia o que fazia em campo. Eu acredito que aquilo foi um fator decisivo na atuação da Seleção Brasileira.

NEYMAR

Em 1974, eu estava com 21 anos e já jogava o Campeonato Brasileiro, inclusive recebi o prêmio “Bola de Ouro”, da revista Placar. É lógico que eu estava totalmente preparado para jogar aquela Copa do Mundo, mesmo sendo jovem. (Zagallo era o treinador brasileiro e não convocou Zico para o mundial). O mesmo caso ocorre atualmente com o Neymar, do Santos. Ele está totalmente preparado para ir à Copa. Ele é um jogador diferenciado, do mais alto nível, da maior qualidade e, infelizmente, no processo de testes que o Dunga fez nos últimos anos, quando o treinador deu chances para muita gente nesse período, o Neymar não tinha aparecido ainda. Mas se ele apareceu agora e é bom, acho que tem que levar. Esse é o jogador que eu levaria e acho que ele poderia modificar e ajudar muito a Seleção. Não apenas levá-lo para adquirir experiência e amadurecê-lo para daqui quatro anos, não é isso. Então, se o cara é bom, pode servir como mais uma opção para o treinador, ele tem que ir independentemente da idade. Pela postura dele em campo, você percebe que ele está pronto e pode ser aproveitado.

ADRIANO

Eu levaria o Adriano para a Copa do Mundo. Se ele estiver com o estado de espírito consciente como um atleta para jogar uma competição dessas, ele tem que ir. E na Seleção me parece que até hoje ele não teve problemas. Agora, realmente hoje ele está mais pesado e, por isso, ele está numa condição abaixo para numa Copa do Mundo enfrentar os europeus. Então ele deve entrar num processo de perceber que é importante para o Brasil e que tem capacidade para isso. Se ele colocar isso na cabeça, nesses dois meses aí que faltam para o mundial, ele pode reunir condições e ajudar o Brasil.

RONALDINHO GAÚCHO

Eu não creio que o Dunga não convoque o Ronaldinho por uma questão pessoal. A questão que eu discuto é que você não pode abrir mão de um jogador que foi duas vezes o melhor jogador do mundo. Não é qualquer um que consegue isso. O Ronaldinho com toda essa qualidade, o que todo mundo espera é que ele continue fazendo o que sempre fez. Vendo o Messi fazer tudo o que está fazendo, a gente sabe que ele também pode fazer, tem capacidade para isso. O que eu não quero ver é o Ronaldinho limitado, como ele está hoje. Limitado a jogar numa certa faixa do campo, em pegar a bola, dar um drible pro meio e jogar a bola para a área. Quero que ele tenha uma participação intensa. O problema é que nos últimos dois anos, ele se acomodou muito em fazer duas ou três coisas numa partida e não ter uma participação intensa. O problema pode ter sido a participação dele nas Olimpíadas de 2008, quando ele não rendeu o esperado. Dali para cá, o Ronaldinho não teve muitas oportunidades. Será que aconteceu alguma coisa? Não sei. O problema está aí. Pode ter acontecido alguma coisa e o Dunga perdeu a confiança nele. Mas isso só o treinador pode responder. Como jogador, pelo o que ele já mostrou, deve ir. Mesmo não atravessando um bom momento assim como o Robinho, Nilmar e Luís Fabiano, que são titulares absolutos. Até mesmo o Kaká que não está jogando, o Felipe Mello está cheio de problemas na Juventus e na reserva. O Júlio Baptista, Doni e Josué também estão na reserva. Enfim, tudo isso é uma escolha do técnico.

FUTEBOL BRASILEIRO X FUTEBOL EUROPEU

Em termos de gestão, nós (brasileiros) perdemos nossos principais jogadores. É inadmissível que uma Seleção Brasileira não tenha cinco jogadores que atuem aqui no Brasil. Então isso aí é o que? Má gestão. Você não tem condições econômicas para manter esses jogadores. Isso é totalmente diferente do que acontece na Europa. Por exemplo, os jogadores da Holanda não saem de lá para jogar na Inglaterra ou na Espanha por uma má gestão dos clubes holandeses ou por questões financeiras. Eles saem por visibilidade. É diferente. A maioria dos jogadores brasileiros saem pela parte financeira acima de tudo. O Campeonato Brasileiro é um dos mais difíceis do mundo. Quando começa a competição, é fácil apontar 15 times favoritos. Ele pode ser o campeão ou ser o décimo quinto. Isso é o equilíbrio. Lá fora não acontece isso. Na Espanha, por exemplo, quantos anos o título ficou com o Barcelona e o Real Madrid? Uma vez ou outra aparece um time diferente como apareceu o La Coruña uma vez. Na Itália é Milan, Juventus ou Internazionale. E todo mundo fala do futebol italiano, mas são sempre os mesmos que ganham. Na Holanda é o PSV e o Ajax. Na Turquia é o Galatasaray, Besiktas ou Fenerbahçe. No Brasil não. Aqui é uma dificuldade muito maior. Essa é a questão. A CBF também tem uma parcela de culpa, pois não paga um tostão para trazer os jogadores para a Seleção. Imagina se tivesse que pagar ao Real Madrid para trazer o Kaká ou ao Sevilla pelo Luís Fabiano? Então, a CBF quer mais é que os jogadores vão para fora mesmo. Além disso, a entidade poderia ajudar mais os clubes e fazer um calendário melhor, porque o jogador brasileiro gosta de jogar no Brasil. Se eles tiverem uma estrutura boa para poder atuar bem, eles jogam aqui. Isso tudo é o motivo por termos que ficar assistindo os campeonatos dos outros países.

CONTINUISMO DOS DIRIGENTES BRASILEIROS

Eu penso que não é possível que só tenha uma pessoa para gerir as entidades em cada esporte brasileiro. As pessoas têm competência, mas ficar 20 anos como o Ricardo Teixeira está na CBF e o Carlos Arthur Nuzman no COB (Comitê Olímpico Brasileiro). Agora o Fábio Koff é reeleito no Clube dos 13. Pô, não é possível que só tenham essas pessoas para gerenciar e administrar. Que eles conseguiram resultados através da competência, isso é óbvio, mas existem outras pessoas também que podem dar sua contribuição. Com isso, nem surgem novos candidatos a esses cargos, pois sabem que vão perder e serão apenas mais um.

Nota: Ricardo Teixeira preside a CBF desde 1989, enquanto Carlos Arthur Nuzman comanda o COB desde 1995.

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