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Walter Casagrande Júnior, 46 anos, ex-jogador de futebol e atual comentarista esportivo. Revelado pelo Corinthians no início dos anos 80, o atacante fez parte da Democracia Corintiana, período em que os jogadores tinham participações nas decisões tomadas dentro e fora dos gramados. Ao lado de Wladimir, Sócrates e Zenon, Casagrande fez parte do maior movimento ideológico de um clube de futebol no país. Ídolo alvinegro, o atleta também jogou pelo São Paulo, pelo Porto, de Portugal, pelos clubes italianos do Ascoli e Torino e pelo Flamengo. Pela Seleção Brasileira, Casagrande disputou a Copa do Mundo de 1986, no México.

Quando encerrou a carreira, se tornou comentarista da TV Globo. Durante todo esse período, Casagrande sempre conviveu com a dependência química. Então viciado em cocaína e heroína, o ex-jogador ficou internado por um ano numa clínica de reabilitação e hoje, aos poucos, retoma a sua vida. Em entrevista exclusiva ao Macedo Futebol Clube, Casagrande revelou suas dificuldades, sua superação e as palestras motivacionais que faz atualmente para alertar os jovens sobre o perigo das drogas.

MFC: Por ter sido um grande jogador do futebol brasileiro, como você conviveu com a fama e com a boemia?
Casagrande: Saber ou não lidar com a fama é uma coisa meio difícil quando você está vivenciando aquilo. Eu olho para trás e acho que soube lidar, a fama nunca subiu à cabeça. Eu não era boêmio, tinha uma diferença: eu gosto muito de música, de conversar com as pessoas. Eu saía muito para ir a shows musicais ou em barzinhos, ver bandas tocarem rock e essas coisas todas. Eu nunca fui muito de beber, eu gostava muito de sair à noite. Meu problema mesmo foi com a dependência química, com as drogas, que já faziam parte da minha vida há muito tempo. E isso não teve muito a ver com a fama, isso aí é uma doença e, hoje eu sei que é uma doença, mas na época não pensava assim. Eu pensava que eu pararia quando quisesse. Então, olhando para trás, eu acho que a convivência com a fama não influenciou muito no que eu fiz, foi mesmo coisas minhas, internas, emoções e situações que eu não sabia lidar dentro de mim. Isso é insuportável. Você acaba entrando nas drogas para se anestesiar dos problemas. Ou muita felicidade, ou muita tristeza. Quer dizer, as emoções eram muito potencializadas. Por esse motivo que cada vez mais eu desenvolvi essa doença com as drogas.

MFC: Você acha que de alguma forma esse problema com as drogas atrapalhou sua carreira no futebol?
Casagrande: Não. Na época do futebol, minha válvula de escape de energia ou qualquer tipo de raiva era descarregada no esporte. Treinava muito, jogava, tinha aquela adrenalina do futebol. Acho que o período do futebol foi o mais tranqüilo da minha vida. Meus problemas com as drogas ficaram muito mais claros quando eu parei de jogar futebol.

MFC: Você ainda tem algum acompanhamento médico e psicológico?
Casagrande: Eu tenho duas psicólogas que me acompanham diariamente. Como faz mais de um ano que saí da internação, o acompanhamento atualmente é menos intensivo, pois aos poucos eu aprendi, novamente, a caminhar sozinho. De qualquer forma, quando eu quero e preciso da ajuda delas, saio para conversar e sou prontamente atendido. Além disso, toda quarta-feira eu faço terapia com um psiquiatra.  É necessário um auxílio médico, acho que só a força de vontade não dá.

MFC: O seu trabalho como comentarista de futebol da TV Globo te ajudou na recuperação?
Casagrande: Com certeza. Hoje eu sou uma pessoa melhor. Eu me entendo. Antes era uma confusão, eu não sabia porque eu me destruía tanto se eu tenho uma vida tranqüila, me relaciono bem com as pessoas, tenho três filhos, fui bem sucedido no esporte e estava sendo bem sucedido na minha carreira como comentarista. Qual era o motivo de eu me autodestruir? Por que eu fazia aquilo? Até certo ponto eu quase me destruí mesmo. Sofri um acidente automobilístico em 2007 e esse foi o período mais crítico da minha vida. Eu poderia ter morrido, não só no acidente, mas por toda a minha autodestruição diária.  Então, fiquei internado por um ano numa clínica fantástica que me esclareceu muitas coisas e hoje eu consigo perceber qualquer movimento esquisito dentro de mim.

MFC: Você concedeu uma entrevista esclarecedora ao programa Altas Horas, da TV Globo, pouco após ter saído da clínica. O que te levou a isso?
Casagrande: Começou a se criar muita especulação sobre o meu caso. As revistas Veja e Placar publicaram matérias sobre o assunto, mas nunca ninguém tinha falado comigo. Então, dei a entrevista, pois eu queria que as pessoas soubessem a realidade. Por que eu tinha sumido? Por que eu não estava mais trabalhando naquele momento? Eu acho que o importante era eu me explicar, afinal, não tenho medo e nem vergonha do que eu sou. Eu sou um dependente químico. Eu não quero que ninguém escolha o que eu escolhi.  As pessoas escolhem o que elas quiserem, mas elas têm que saber a realidade e seus dois lados, as conseqüências de escolher um caminho que aparentemente é maravilhoso, viajante, gostoso, mas que depois acarreta problemas.

MFC: Qual é a importância de sua palestra para as crianças e jovens? Por ter superado os problemas com as drogas e ser uma pessoa famosa, você pode ajudá-los a não entrar nesse caminho?
Casagrande: Com certeza. Isso é uma história real. Não é um filme, uma peça de teatro ou uma história que alguém me contou. Eu vivi isso na pele, foi minha realidade por muito tempo. Eu não acho que seja válido você dar um tapinha nas costas dessas crianças e dizer o que pode e o que não pode ser feito. Se isso fosse a salvação, eu não teria tido tantos problemas como tive. O meu objetivo é relatar o meu caso e, assim, essas crianças avaliarão e saberão que esse não é o caminho. O prazer da vida não é subir num morro, se trancar e ficar usando drogas. Prazer é ter o reconhecimento das pessoas na rua, dos fãs, dos amigos e da família. E hoje eu tenho tudo isso.

NOTA: Essa entrevista será publicada amanhã no Jornal Notícias, de Barueri.

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“No circo do futebol, o torcedor é o palhaço”.

Li essa frase em algum protesto e ela ilustra bem o tema discutido hoje. Há vários dias uma intensa briga vem acontecendo a respeito da mudança dos horários das partidas de futebol em São Paulo. Tudo começou com uma ferrenha campanha veiculada pela tradicional rádio Jovem Pan. A emissora paulistana se colocou no lugar dos torcedores e peitou duas poderosas: a TV Globo e a Federação Paulista de Futebol.

Como todos sabem a TV Globo monopolizou o futebol brasileiro. E por pagar caro pelo direito de transmissão dos torneios nacionais e internacionais, a emissora manda e desmanda. Seja nos locais e datas dos jogos, ou principalmente nos horários. Tudo para não interferir em sua grade de programação.

Através das acusações da rádio Jovem Pan, a Câmara Municipal de São Paulo aprovou um projeto de lei que proíbe que as partidas de futebol disputadas na capital, em estádios com capacidade superior a 15 mil torcedores, terminem após às 23h15. Com isso, para que a lei que já foi aprovada em definitivo entre em vigor, será necessário que o prefeito Gilberto Kassab (DEM-SP) sancione ou vete esta lei. Porém, a TV Globo em parceria com a FPF entraram em ação para que o prefeito não assine a norma, pois seria totalmente prejudicial para seus interesses. A discussão se acirra dia após dia e o decreto não deve entrar em vigor.

As explicações da TV Globo dão conta de que os jogos de futebol iniciados entre 21h45 e 22h tem média de público superior aos outros horários. Em contra partida, a rádio Jovem Pan diz que a média de pouco mais de sete mil torcedores enfatizada pelo canal televisivo, é muito pouco se levarmos em conta o número de habitantes da capital e de todo o Estado de São Paulo. De fato, é uma briga sem fim. A Globo tem seus inúmeros anunciantes, suas novelas, telejornais e até o esdrúxulo reality show. Só depois de tudo isso é que o futebol entra em cena. Fora isso, além de mudar o horário de dois jogos por semana (um na quarta-feira e outro no domingo), também muda todo o resto da tabela para encaixar as partidas em seus canais pagos, o SporTV e o PFC.

Para que serve o Estatuto do Torcedor? Ninguém o respeita. Clubes, emissoras de televisão e rádio e até mesmo a própria federação não se preocupam com seu principal consumidor: o torcedor. Para se ter uma ideia, alguns dias atrás li um post muito interessante no blog do jornalista Marcelo Di Lallo (http://espnbrasil.terra.com.br/marcelodilallo). Lá ele relata que apenas nesta edição do Campeonato Paulista, a tabela foi mudada incríveis 99 vezes (esse número já subiu para 112 alterações), sempre a pedidos da Federação, dos clubes, da Polícia Militar e da TV Globo. Para ler esse absurdo basta clicar neste link: http://www.futebolpaulista.com.br/competicao.php?page=8&ano=2010.

A Jovem Pan está fazendo seu papel e representando o torcedor. Por esse motivo, não se pode ver com maus olhos, afinal, os jogos começando em horários absurdos só beneficiam a Globo e prejudicam a grande maioria dos apaixonados pelo futebol. Não existe transporte público eficiente em São Paulo para os torcedores irem embora, a grande parte dessas pessoas trabalha cedo no dia seguinte, entre outros aspectos. Por esse motivo, cada vez mais os torcedores comuns vão se afastando dos estádios, fator que prejudica o espetáculo e, principalmente, os clubes.

O mais justo seria criar um horário tradicional para o futebol. Jogos no meio de semana devem começar 20h30, no máximo 21h. E aos finais de semana, terem início entre 16h e 17h. Seriam horários ideais e beneficiariam a todos. Agora está nas mãos do prefeito. A briga entre Jovem Pan X TV Globo e FPF vai longe. Enquanto isso, vamos acompanhar a rodada de hoje nos estaduais pelo Brasil, com jogos começando às 16h, 17h, 18h30, 19h30, 20h30 e 21h50. Que bagunça, meu Deus!

Mas e você torcedor, o que pensa sobre esse assunto? Você gosta de ir aos jogos do seu clube às 21h50? Ou preferiria e até iria com mais frequência se as partidas começassem mais cedo? Opine!

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