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A Seleção Brasileira estreará hoje na Copa do Mundo de 2010. O primeiro adversário será a enigmática Coreia do Norte. Assim como acontece no país, as informações sobre a equipe asiática são escassas, já que o treinador fechou a maioria dos treinamentos na África do Sul.

Dessa forma, o MFC foi atrás de informações sobre a misteriosa seleção norte-coreana. O entrevistado do dia é o ex-jogador e atual treinador, Edu Marangon. Edu jogou futebol profissional por quase quinze anos, tendo passado por Portuguesa; Torino, da Itália; Nacional, do Uruguai; Porto, de Portugal; Santos; Palmeiras; Yokohama Flugels, do Japão; Inter de Limeira; Coritiba e Bragantino; além de ter jogado com a camisa da Seleção Brasileira.

Depois de pendurar as chuteiras, Edu Marangon se tornou treinador e já esteve à frente de equipes como Paraná, Juventus, Rio Claro, Atlético de Sorocaba e atualmente é o técnico do Sport Club Barueri.

Nesta entrevista, Edu Marangon relata como foi o amistoso entre Atlético Sorocaba e a Seleção da Coreia do Norte, ocorrido em novembro de 2009, quando ele era o comandante do clube interiorano. Também conta as características dos jogadores, o motivo de tanto mistério por parte dos asiáticos e também se a equipe de Dunga corre algum risco na partida. Confira a entrevista exclusiva ao MFC:

MFC: Edu, conte como foi o amistoso contra a seleção da Coreia do Norte?
Edu Marangon: O amistoso foi disputado no dia 05 de novembro de 2009, em Pyongyang, capital da Coreia do Norte. Primeiramente, o que mais impressionou foi a paixão do povo norte-coreano pelo futebol. O estádio estava lotado com 80 mil torcedores e mais de 20 mil pessoas ficaram do lado de fora, sem ingressos. No placar eletrônico, estava escrito ‘Brazil’ ao invés de Atlético Sorocaba. Eles trataram o jogo como um amistoso contra a seleção brasileira.

MFC: Quais as características da seleção norte-coreana?
EM: Falando do jogo em si, foi uma partida diferente. A equipe deles marca forte e tem uma saída de bola rápida no contra-ataque. Nossos jogadores sentiram um pouco, já que o gramado era sintético. O empate em 0 a 0 não traduziu o que foi o jogo, já que fomos superiores durante toda a partida e o goleiro deles fez defesas incríveis.

MFC: Como é o preparo físico dos jogadores norte-coreanos?
EM: Como eles não são altamente capacitados técnica e taticamente, o preparo físico deles é muito bom, típico dos jogadores asiáticos. Eu joguei por três anos no Japão (Yokohama Flugels) e senti isso na pele. Eles correm muito, são capazes de correr os 90 minutos e não se cansarem. O biótipo deles é diferente do nosso, eles têm uma condição muscular muito boa, o que faz com que as contusões sejam raras.

MFC: Quais os principais jogadores?
EM: O time deles não é bobo, mas também não tem grandes talentos. Eles têm um centroavante bom na bola aérea e forte fisicamente. Mas o principal jogador é o Rooney Asiático (Jong Tae-Se) mesmo, como a imprensa vem dizendo há alguns dias. Ele destoa do grupo, até por ser japonês de origem. É habilidoso, mescla velocidade e força e tem bom chute. Foi o único que me chamou a atenção.

MFC: Você que esteve lá por uma semana, me diga o porquê de tanto mistério?
EM: Bom, o país deles é completamente diferente dos outros. Não tem jeito. No futebol é normal um treinador fechar esse ou aquele treino para treinar uma jogada específica ou ensaiada, como fez o Dunga esses dias. Mas eles não estão fechando o treino para esconder o jogo, não. É assim mesmo que eles vivem lá. Isso ocorre pelo sistema político do país. Eles são privados de fazer muitas coisas. Para você ter ideia, tem até racionamento de água e energia na Coreia do Norte. É um país que ainda vive em regime ditatorial, então eles precisam seguir inúmeras regras, não podem desobedecer aos mandamentos do ditador (Kim Jong-il está no comando do país desde 1994).

MFC: Eles podem surpreender o Brasil no jogo de hoje?
EM: Teoricamente, não. Não creio nisso, pelo contrário, aposto que o Brasil vencerá facilmente o jogo pela qualidade dos nossos jogadores. Mas a seleção precisa ter atenção para não ser surpreendida. Creio que a zebra ocorrida na Copa de 1966 (quando a Coreia do Norte eliminou a Itália e só foi eliminada nas quartas de final contra a Seleção Portuguesa) não acontecerá de novo.

MFC: A Coreia do Norte tem alguma chance de se classificar no grupo G?
EM: Creio que não, até porque os outros três concorrentes são fortíssimos. Lembro que quando terminou o jogo contra eles, fui conversar com o treinador (Kim Jong-Hun) e perguntei como ele estava preparando a equipe para a Copa do Mundo. Na ocasião, ele disse que aguardaria o sorteio para definir, provando mais uma vez que as informações por lá são escassas, mesmo que naquela época eles nem imaginassem quem iriam enfrentar. Eles tiveram azar de cair num grupo com três escolas de futebol diferentes: sul-americana, europeia e africana. Ambas muito fortes e tradicionais. Creio que não conseguirão vencer nenhum jogo no Mundial.

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Walter Casagrande Júnior, 46 anos, ex-jogador de futebol e atual comentarista esportivo. Revelado pelo Corinthians no início dos anos 80, o atacante fez parte da Democracia Corintiana, período em que os jogadores tinham participações nas decisões tomadas dentro e fora dos gramados. Ao lado de Wladimir, Sócrates e Zenon, Casagrande fez parte do maior movimento ideológico de um clube de futebol no país. Ídolo alvinegro, o atleta também jogou pelo São Paulo, pelo Porto, de Portugal, pelos clubes italianos do Ascoli e Torino e pelo Flamengo. Pela Seleção Brasileira, Casagrande disputou a Copa do Mundo de 1986, no México.

Quando encerrou a carreira, se tornou comentarista da TV Globo. Durante todo esse período, Casagrande sempre conviveu com a dependência química. Então viciado em cocaína e heroína, o ex-jogador ficou internado por um ano numa clínica de reabilitação e hoje, aos poucos, retoma a sua vida. Em entrevista exclusiva ao Macedo Futebol Clube, Casagrande revelou suas dificuldades, sua superação e as palestras motivacionais que faz atualmente para alertar os jovens sobre o perigo das drogas.

MFC: Por ter sido um grande jogador do futebol brasileiro, como você conviveu com a fama e com a boemia?
Casagrande: Saber ou não lidar com a fama é uma coisa meio difícil quando você está vivenciando aquilo. Eu olho para trás e acho que soube lidar, a fama nunca subiu à cabeça. Eu não era boêmio, tinha uma diferença: eu gosto muito de música, de conversar com as pessoas. Eu saía muito para ir a shows musicais ou em barzinhos, ver bandas tocarem rock e essas coisas todas. Eu nunca fui muito de beber, eu gostava muito de sair à noite. Meu problema mesmo foi com a dependência química, com as drogas, que já faziam parte da minha vida há muito tempo. E isso não teve muito a ver com a fama, isso aí é uma doença e, hoje eu sei que é uma doença, mas na época não pensava assim. Eu pensava que eu pararia quando quisesse. Então, olhando para trás, eu acho que a convivência com a fama não influenciou muito no que eu fiz, foi mesmo coisas minhas, internas, emoções e situações que eu não sabia lidar dentro de mim. Isso é insuportável. Você acaba entrando nas drogas para se anestesiar dos problemas. Ou muita felicidade, ou muita tristeza. Quer dizer, as emoções eram muito potencializadas. Por esse motivo que cada vez mais eu desenvolvi essa doença com as drogas.

MFC: Você acha que de alguma forma esse problema com as drogas atrapalhou sua carreira no futebol?
Casagrande: Não. Na época do futebol, minha válvula de escape de energia ou qualquer tipo de raiva era descarregada no esporte. Treinava muito, jogava, tinha aquela adrenalina do futebol. Acho que o período do futebol foi o mais tranqüilo da minha vida. Meus problemas com as drogas ficaram muito mais claros quando eu parei de jogar futebol.

MFC: Você ainda tem algum acompanhamento médico e psicológico?
Casagrande: Eu tenho duas psicólogas que me acompanham diariamente. Como faz mais de um ano que saí da internação, o acompanhamento atualmente é menos intensivo, pois aos poucos eu aprendi, novamente, a caminhar sozinho. De qualquer forma, quando eu quero e preciso da ajuda delas, saio para conversar e sou prontamente atendido. Além disso, toda quarta-feira eu faço terapia com um psiquiatra.  É necessário um auxílio médico, acho que só a força de vontade não dá.

MFC: O seu trabalho como comentarista de futebol da TV Globo te ajudou na recuperação?
Casagrande: Com certeza. Hoje eu sou uma pessoa melhor. Eu me entendo. Antes era uma confusão, eu não sabia porque eu me destruía tanto se eu tenho uma vida tranqüila, me relaciono bem com as pessoas, tenho três filhos, fui bem sucedido no esporte e estava sendo bem sucedido na minha carreira como comentarista. Qual era o motivo de eu me autodestruir? Por que eu fazia aquilo? Até certo ponto eu quase me destruí mesmo. Sofri um acidente automobilístico em 2007 e esse foi o período mais crítico da minha vida. Eu poderia ter morrido, não só no acidente, mas por toda a minha autodestruição diária.  Então, fiquei internado por um ano numa clínica fantástica que me esclareceu muitas coisas e hoje eu consigo perceber qualquer movimento esquisito dentro de mim.

MFC: Você concedeu uma entrevista esclarecedora ao programa Altas Horas, da TV Globo, pouco após ter saído da clínica. O que te levou a isso?
Casagrande: Começou a se criar muita especulação sobre o meu caso. As revistas Veja e Placar publicaram matérias sobre o assunto, mas nunca ninguém tinha falado comigo. Então, dei a entrevista, pois eu queria que as pessoas soubessem a realidade. Por que eu tinha sumido? Por que eu não estava mais trabalhando naquele momento? Eu acho que o importante era eu me explicar, afinal, não tenho medo e nem vergonha do que eu sou. Eu sou um dependente químico. Eu não quero que ninguém escolha o que eu escolhi.  As pessoas escolhem o que elas quiserem, mas elas têm que saber a realidade e seus dois lados, as conseqüências de escolher um caminho que aparentemente é maravilhoso, viajante, gostoso, mas que depois acarreta problemas.

MFC: Qual é a importância de sua palestra para as crianças e jovens? Por ter superado os problemas com as drogas e ser uma pessoa famosa, você pode ajudá-los a não entrar nesse caminho?
Casagrande: Com certeza. Isso é uma história real. Não é um filme, uma peça de teatro ou uma história que alguém me contou. Eu vivi isso na pele, foi minha realidade por muito tempo. Eu não acho que seja válido você dar um tapinha nas costas dessas crianças e dizer o que pode e o que não pode ser feito. Se isso fosse a salvação, eu não teria tido tantos problemas como tive. O meu objetivo é relatar o meu caso e, assim, essas crianças avaliarão e saberão que esse não é o caminho. O prazer da vida não é subir num morro, se trancar e ficar usando drogas. Prazer é ter o reconhecimento das pessoas na rua, dos fãs, dos amigos e da família. E hoje eu tenho tudo isso.

NOTA: Essa entrevista será publicada amanhã no Jornal Notícias, de Barueri.

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