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Posts Tagged ‘Torcedores’

“No circo do futebol, o torcedor é o palhaço”.

Li essa frase em algum protesto e ela ilustra bem o tema discutido hoje. Há vários dias uma intensa briga vem acontecendo a respeito da mudança dos horários das partidas de futebol em São Paulo. Tudo começou com uma ferrenha campanha veiculada pela tradicional rádio Jovem Pan. A emissora paulistana se colocou no lugar dos torcedores e peitou duas poderosas: a TV Globo e a Federação Paulista de Futebol.

Como todos sabem a TV Globo monopolizou o futebol brasileiro. E por pagar caro pelo direito de transmissão dos torneios nacionais e internacionais, a emissora manda e desmanda. Seja nos locais e datas dos jogos, ou principalmente nos horários. Tudo para não interferir em sua grade de programação.

Através das acusações da rádio Jovem Pan, a Câmara Municipal de São Paulo aprovou um projeto de lei que proíbe que as partidas de futebol disputadas na capital, em estádios com capacidade superior a 15 mil torcedores, terminem após às 23h15. Com isso, para que a lei que já foi aprovada em definitivo entre em vigor, será necessário que o prefeito Gilberto Kassab (DEM-SP) sancione ou vete esta lei. Porém, a TV Globo em parceria com a FPF entraram em ação para que o prefeito não assine a norma, pois seria totalmente prejudicial para seus interesses. A discussão se acirra dia após dia e o decreto não deve entrar em vigor.

As explicações da TV Globo dão conta de que os jogos de futebol iniciados entre 21h45 e 22h tem média de público superior aos outros horários. Em contra partida, a rádio Jovem Pan diz que a média de pouco mais de sete mil torcedores enfatizada pelo canal televisivo, é muito pouco se levarmos em conta o número de habitantes da capital e de todo o Estado de São Paulo. De fato, é uma briga sem fim. A Globo tem seus inúmeros anunciantes, suas novelas, telejornais e até o esdrúxulo reality show. Só depois de tudo isso é que o futebol entra em cena. Fora isso, além de mudar o horário de dois jogos por semana (um na quarta-feira e outro no domingo), também muda todo o resto da tabela para encaixar as partidas em seus canais pagos, o SporTV e o PFC.

Para que serve o Estatuto do Torcedor? Ninguém o respeita. Clubes, emissoras de televisão e rádio e até mesmo a própria federação não se preocupam com seu principal consumidor: o torcedor. Para se ter uma ideia, alguns dias atrás li um post muito interessante no blog do jornalista Marcelo Di Lallo (http://espnbrasil.terra.com.br/marcelodilallo). Lá ele relata que apenas nesta edição do Campeonato Paulista, a tabela foi mudada incríveis 99 vezes (esse número já subiu para 112 alterações), sempre a pedidos da Federação, dos clubes, da Polícia Militar e da TV Globo. Para ler esse absurdo basta clicar neste link: http://www.futebolpaulista.com.br/competicao.php?page=8&ano=2010.

A Jovem Pan está fazendo seu papel e representando o torcedor. Por esse motivo, não se pode ver com maus olhos, afinal, os jogos começando em horários absurdos só beneficiam a Globo e prejudicam a grande maioria dos apaixonados pelo futebol. Não existe transporte público eficiente em São Paulo para os torcedores irem embora, a grande parte dessas pessoas trabalha cedo no dia seguinte, entre outros aspectos. Por esse motivo, cada vez mais os torcedores comuns vão se afastando dos estádios, fator que prejudica o espetáculo e, principalmente, os clubes.

O mais justo seria criar um horário tradicional para o futebol. Jogos no meio de semana devem começar 20h30, no máximo 21h. E aos finais de semana, terem início entre 16h e 17h. Seriam horários ideais e beneficiariam a todos. Agora está nas mãos do prefeito. A briga entre Jovem Pan X TV Globo e FPF vai longe. Enquanto isso, vamos acompanhar a rodada de hoje nos estaduais pelo Brasil, com jogos começando às 16h, 17h, 18h30, 19h30, 20h30 e 21h50. Que bagunça, meu Deus!

Mas e você torcedor, o que pensa sobre esse assunto? Você gosta de ir aos jogos do seu clube às 21h50? Ou preferiria e até iria com mais frequência se as partidas começassem mais cedo? Opine!

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La Brujita: Verón liderou Estudiantes no título da Libertadores-09

Foi sofrido. Foi heróico. Foi histórico. Foi do jeito mais argentino de ser. Na raça, na garra, na determinação. Com um Mineirão abarrotado de cruzeirenses (64.800 torcedores)  esperançosos pelo possível tricampeonato da Taça Libertadores da América, o Estudiantes jogou como um time vencedor durante toda a partida e venceu o Cruzeiro de virada por 2X1. A vitória significou o quarto título dos argentinos na competição sul-americana e acabou com um jejum de 38 anos.

Depois de um empate suado na Argentina, com méritos totais para a bela atuação do goleiro Fábio, o Cruzeiro acreditava que poderia resolver as coisas na partida de volta. E, de fato, não estava errado. Após as indiscutíveis vitórias contra São Paulo e Grêmio nas fases anteriores, a equipe mineira se fortaleceu e com o bom grupo formado pelo técnico Adílson Batista, com toda certeza o título poderia ficar na Toca da Raposa.

Mas o futebol está aí para nos provar sua mágica todos os dias. De todo o elenco cruzeirense que chegou à decisão, apenas o lateral esquerdo Sorín já havia conquistado o torneio mais importante das Américas. O restante do grupo, muito jovem, se desesperou muito cedo e com a pressão elevada, digna de uma decisão de Libertadores, sentiram o baque e não conseguiram demonstrar o futebol apresentado nos últimos jogos. Os jogadores mais importantes do elenco estiveram sumidos na partida. Ramires, Wagner e Kléber não souberam se desvencilhar da catimba argentina, demonstrando a falta de experiência em jogos desse tipo. Enquanto isso, o Estudiantes foi levando o jogo, catimbando e, acima de tudo, mostrando a apurada técnica argentina de sempre. Um time orquestrado pelo maestro Verón, que comandou, instruiu e falou com seus companheiros durante todo o jogo, como um técnico dentro de campo.

Aos poucos a pressão da torcida cruzeirense desapareceu e o silêncio tomou conta do Mineirão. O time sentia isso dentro de campo. O gol não saía e o Cruzeiro não conseguia criar chances reais para abrir o placar. O jogo foi para o intervalo e Adílson Batista sabia da importância de abrir o placar na segunda etapa para acalmar os ânimos do time, da torcida e do próprio adversário. E isso realmente aconteceu. O Cruzeiro voltou diferente no segundo tempo, com mais vontade nas jogadas e começou a marcar sob pressão a saída de bola do Estudiantes. Logo, aos seis minutos, Henrique arriscou um chute forte de fora da área, a bola desviou no zagueiro Desábato e traiu o goleiro Andújar. 1X0 no placar, festa no Mineirão e o sonho do tricampeonato mais próximo. Mas ainda faltavam 40 minutos para o final da partida e nunca é bom dar equipes argentinas como derrotadas antes da hora.

E não deu outra. O Estudiantes não se abalou com o gol. Ergueu a cabeça, saiu para o jogo e não se deu como batido. A batuta do mestre Juan Sebástian Verón apareceu aos 12 minutos. Verón deu uma linda invertida no jogo e a bola chegou aos pés de Cellay. O lateral direito cruzou a bola para a área, o atacante Fernández escorou e empatou o jogo. Um duro golpe na jovem equipe cruzeirense que precisaria sair novamente para o jogo em busca do segundo gol. O Estudiantes, por sua vez, sentiu que era o momento e passou a dominar a partida. O toque de bola quase perfeito dos argentinos envolviam os brasileiros e aos 27 minutos o Mineirão se calou novamente. Verón, sempre ele, bateu escanteio da direita e o atacante Boselli subiu mais que a zaga mineira para virar a partida. Foi o oitavo gol de Boselli na competição e o gol que, além de valer o título para o Estudiantes, o consagrou como artilheiro da Libertadores-09.

Desesperado, o Cruzeiro não teve forças para reagir. Thiago Ribeiro teve as duas chances finais. Na primeira oportunidade o goleiro Andújar contou com a sorte e a bola explodiu no travessão. Na segunda chance, o atacante isolou a bola na frente da meta argentina. De qualquer forma, o Cruzeiro demonstrou ter um bom time, mas que visivelmente precisa conquistar maturidade. Não é a hora e nem a ocasião para se achar culpados. Mas acho que o treinador Adilson Batista poderia ter mexido na equipe no intervalo. O meia Wagner pouco apareceu no jogo e na saída, ao término do primeiro tempo, revelou que estava machucado. Adilson deveria ter voltado com Athirson em seu lugar. Quando a troca foi efetuada, aos 25 minutos, já era tarde. Fora isso, nada de errado. Diretoria e comissão técnica trabalharam muito bem. Fábio e Kléber foram os grandes destaques cruzeirenses na competição e, inclusive, ambos merecem serem testados na Seleção Brasileira. Ramires, mesmo não jogando bem na decisão, já mostrou sua capacidade e tem uma carreira inteira pela frente. Os três são jovens e se continuarem na mesma caminhada nos próximos anos, continuarão provando pelos gramados do mundo a capacidade demonstrada com a camisa Celeste.

Ao Estudiantes, qualquer elogio é pouco. Um time comum, mas com um jogador totalmente diferenciado na liderança. Verón, revelado pelo clube Pincharrata em 1993, desfilou sua habilidade na Europa e conforme havia prometido, voltou para seu clube de coração para fazer história. La Brujita comandou a equipe e mesmo sem as totais condições físicas, mostrou seu talento. E outro fato que deve ser ressaltado é um caso inédito no futebol mundial. Verón liderou a conquista do quarto título, enquanto seu pai, Juan Ramón Verón, no final dos anos 60, fez história e liderou o Estudiantes nas conquistas de 1968, 1969 e 1970. Pai e filho são os maiores ídolos do clube.

Um título totalmente merecido e que, mais uma vez, evidenciou a determinação como maior virtude de equipes argentinas. No quesito seleções o Brasil não pode e não deve ser comparado aos hermanos. Já quando o assunto são os clubes, não restam dúvidas. Nos 50 anos em que a Libertadores foi disputada, em 12 vezes brasileiros e argentinos disputaram a final. Com o título do Estudiantes, a Argentina soma nove conquistas contra apenas três do Brasil. Parabéns ao Estudiantes de La Plata, aos jogadores e a toda comissão técnica.  

E você torcedor, o que achou do título argentino? Concorda que o Estudiantes não foi brilhante, mas a eficiência foi determinante para a conquista? Opine!

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Ônibus queimado no Pacaembu na última quarta-feira

O noticiário esportivo ganhou mais uma vez as páginas policias. O esporte mais praticado do mundo continua sendo uma ‘desculpa’ para violência, vandalismo, guerras entre torcidas e pseudo-torcedores que pouco ligam para o futebol, mas tentam pouco a pouco estragar e entristecer a grande paixão dos brasileiros.

Qual o motivo para tudo isso? Imbecilidade humana, pessoas que nada têm a perder na vida, que saem de suas casas com o intuito de instalar o pânico pela cidade. Saem armados até os dentes, com facas, madeiras, barras de ferro, pedras, armas e tudo que normalmente encontraríamos em cenários de guerra. Afinal, vivemos em meio a uma guerra urbana, que, assim como todas as guerras, não têm motivos plausíveis para acontecer.

Após o jogo entre Corinthians e Vasco pelas semifinais da Copa do Brasil, mais uma vez o que era para ser uma festa, se tornou tragédia. Corintianos e vascaínos se digladiaram antes mesmo do jogo começar na Marginal Tietê e continuaram com a guerra urbana após o apito final. O problema foi o resultado do jogo ou quem se classificou? Claro que não. O problema é social e há pelo menos 15 anos se tornou comum nas grandes capitais brasileiras, mas especificamente em São Paulo. Todo jogo é a mesma história. Não precisa ser clássico ou final de campeonato. Dessa vez a guerra urbana contou com aproximadamente 120 furiosos ‘machões’ que, em meio ao trânsito caótico da capital, arrumaram um espaço e instalaram o horror na vida das pessoas de bem. O saldo disso foi mais um ‘torcedor’ covardemente espancado até a morte, 27 presos e um ônibus queimado.

Aos que vivem mais distantes do mundo do futebol, isso é um problema que poderia ser facilmente resolvido pela Polícia Militar e pelo Ministério Público. Mas não é tão fácil como parece. A PM e o MP já tentaram todas as táticas possíveis para evitar esses confrontos. Nenhuma delas surtiu efeito. Quando estipularam que torcidas organizadas não poderiam entrar no estádio com faixas, baterias, bandeirões e roupas alusivas as facções, nada mudou. Já fecharam sedes das torcidas, prenderam dirigentes, diminuíram carga de ingressos dos visitantes e, do mesmo modo, nada mudou. O que mais precisa ser feito? Sinceramente, não sei. Mas imagino que mesmo se resolverem cancelar os campeonatos e serem radicais ao ponto de acabarem com o futebol, as brigas continuariam a acontecer, pois o motivo não é o futebol. O futebol é a desculpa.

Essa luta da justiça contra a impunidade ganhará mais um capítulo nos próximos dias. O jornalista esportivo Cosme Rímoli entrevistou em seu blog o promotor público Paulo Castilho (leia a entrevista). Ele afirmou com todas as palavras que essa violência entre ‘torcidas organizadas’ vai acabar por bem ou por mal. A nova aposta é que apenas a torcida do time mandante acompanhe os jogos no estádio. Não haverá cota para visitantes de nenhuma espécie. Esse será o meio para acabar com essa barbárie que vivenciamos no futebol? Acho pouco provável. Nada mudará, pois os pseudo-torcedores marcam encontros pela Internet e se encontram em qualquer lugar para se digladiar. Isso não é culpa dessa ou daquela torcida. Em todas as torcidas acontecem isso. Assim como em todos os setores da sociedade, nas torcidas organizadas existem gentes do bem e que realmente gostam do futebol. Mas, infelizmente, existem tantos outros que ‘lutam’ por seus times, sem conhecer a história do clube e pouco sabendo sobre futebol. Triste, muito triste vivermos dessa forma.

Qual é a sua opinião? A sugestão de torcida única nos estádios resolverá essa guerra urbana? Pense, reflita e opine!

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