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Posts Tagged ‘Paulistão-10’

O atacante Washington tem 35 anos e está no São Paulo desde o início de 2009. Em pouco menos de um ano e meio no clube, o jogador fez 44 gols em 80 partidas disputadas, uma média de 0,55 tentos por jogo. É uma média considerável se levarmos em conta os atuais centroavantes que jogam no país. Porém, Washington vive um dilema. A falta de mobilidade, a idade avançada, as constantes irritações e declarações inoportunas somadas ao lugar cativo no banco de reservas, vêm abalando o jogador nos últimos tempos.

O Tricolor contratou Washington depois que o atleta fez uma boa temporada pelo Fluminense, inclusive sendo decisivo na eliminação do time paulista da Copa Libertadores da América de 2008. O atacante chegou ao Morumbi com status de estrela e com a condição no time titular assegurada. Os gols continuaram saindo, mas os erros aumentaram muito também. Washington é aquele jogador que precisa que o time jogue para ele, atacante de área, bom no cabeceio e oportunista na cara do gol. No começo, Muricy Ramalho bem que tentou fazer a equipe jogar para Washington, mas os jogadores mudaram e até o treinador for alterado. O centroavante deixou de ser uma referência no elenco e outros jogadores foram contratados.

Mesmo sendo muito criticado, Washington conseguiu fazer um bom Campeonato Brasileiro no ano passado e foi artilheiro do São Paulo na competição. Devido a melhora no final da temporada, os dirigentes são paulinos renovaram seu contrato e o mantiveram no elenco.  O ano de 2010 prometia ser melhor para o atacante, já que Borges foi negociado com o Grêmio e o ânimo do jogador foi renovado. Entretanto, o pensamento do jogador e da diretoria não se concretizou ainda e está próximo de não acontecer definitivamente.

Ainda no Paulistão-10, Washington perdeu a vaga de titular em alguns jogos para Fernandinho e isso causou indignação no atleta. Nesta temporada, o atacante teve inúmeras oportunidades de se firmar novamente, mas seus incessantes erros foram determinantes para ficar no banco de reservas constantemente. A gota d’água aconteceu duas semanas atrás, quando o São Paulo, enfim, conseguiu contratar o atacante Fernandão, jogador campeão do mundo pelo Internacional, com espírito de liderança nas veias e mais completo que Washington. O novo jogador chegou ao Morumbi com prestígio e logo na primeira partida com a camisa do clube, fez o que Ricardo Gomes e a torcida esperavam de Washington.

Depois de várias reclamações públicas para jornalistas na beira do campo, Washington se tornou oficialmente reserva nesta semana e ontem só jogou desde o começo no Campeonato Brasileiro, pois o treinador mandou a campo um time quase todo reserva. Para variar, Washington nada conseguiu fazer, errou três gols fáceis de se marcar e foi substituído na segunda etapa. Vaiado pela torcida e já avisado por Ricardo Gomes que no São Paulo atual não se aceitarão mais críticas e reclamações de jogadores preteridos, o atacante não temeu sua condição no clube e ao término da partida fez o mesmo de sempre. Procurou os microfones e as câmeras e se disse desmotivado no Tricolor, afirmou ter inúmeras propostas de outros clubes e deixou no ar que seus dias no São Paulo estão contados. Fez tudo que Ricardo Gomes não queria que ninguém fizesse, muito menos ele.

Washington é experiente, já foi artilheiro do Campeonato Brasileiro duas vezes, goleador máximo da Copa do Brasil e até do Paulistão quando defendia a Ponte Preta. Mesmo parecendo um bom sujeito, o atacante tem sérios problemas atualmente.  Ele parece um jogador juvenil numa pelada de bairro, reclama constantemente dos companheiros, gesticula a todo instante e isso prejudica seu próprio desempenho.

Ricardo Gomes disse que conversará com o jogador para tentar motivá-lo novamente, coisa que dificilmente acontecerá. É nítido que Washington não gosta de ser reserva, não é um jogador de grupo. Por onde ele atuou, sempre foi titular absoluto e incontestável. No São Paulo não é assim e isso o irrita profundamente.

O destino de Washington pode ser as Laranjeiras ou até mesmo o Parque Antarctica, pois no Morumbi os seus dias estão contados.

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Os dois jogos que decidiram o Campeonato Paulista de 2010 foram realmente sensacionais. Santos e Santo André fizeram jus ao torneio mais disputado do país e empolgaram o público, até mesmo os torcedores de outras equipes. Depois de vencer o primeiro jogo por 3 a 2 e ampliar a vantagem, o Santos perdeu hoje por 3 a 2 para o Ramalhão e mesmo assim conquistou o 18º título estadual de sua história.

O jogo no Pacaembu começou quente. Aliás, muito quente. Logo aos 30 segundos do primeiro tempo, o atacante Nunes abriu o placar para o Santo André, depois de ótimo passe de Branquinho para o lateral Cicinho, que driblou Felipe e tocou para o artilheiro marcar o gol. Foi uma pequena mostra que do que o time do ABC faria no jogo.

Entretanto, o Santos não tem o melhor ataque do mundo em 2010 à toa. Aos sete minutos, Marquinhos achou Robinho dentro da área e o ‘Rei das Pedaladas’ deu um incrível passe de letra no alto para Neymar. O jovem atacante recebeu, driblou toda a zaga adversária e fez um belo gol, empatando o jogo.

A partida era disputada de uma forma rápida, com ataques para os dois lados. E por pouco o Santo André não ampliou o placar aos 16 minutos, quando Branquinho arriscou um chute e a bola caprichosamente explodiu na trave.

Os comandados de Sérgio Soares estavam impossíveis e partiam para cima do adversário. Tanto que no minuto seguinte marcaram o segundo gol após Carlinhos cruzar para a área e Rodriguinho fazer de cabeça. Porém, a auxiliar Maria Elisa ergueu a bandeira e anotou impedimento inexistente. Prejuízo para o time do ABC.

O erro da arbitragem não abalou o Ramalhão. Bruno César, de novo ele, cobrou escanteio e o volante Alê mandou de cabeça para a rede aos 20 minutos.

A partida pegou fogo de vez aos 22 minutos, quando Neymar cavou mais uma falta e Alê repreendeu o jovem santista. O tumulto se generalizou, empurra daqui, empurra dali e todos querendo falar mais alto que o árbitro. Nunes e Léo bateram boca e se xingaram na lateral do campo, ampliando a discussão. Para não perder as rédeas do jogo, o juiz Sálvio Spinola expulsou os dois.

Emocionante, o jogo prosseguiu alguns minutos depois. Mas o incêndio estava instaurado. Para melhorar ainda mais, o Peixe buscou o empate novamente. Robinho tocou para Ganso, que maravilhosamente deu um passe de letra milimétrico para Neymar, sozinho, marcar o segundo santista. Foi o centésimo gol dos ‘Meninos da Vila’ na temporada, em apenas 30 jogos disputados. Uma maravilha!

Aos 39 minutos, o meia Marquinhos perdeu a cabeça e deu uma dura entrada por trás em Branquinho, lance que ocasionou a expulsão do jogador santista. Agora eram 9 contra 10 e o jogo estava empatado. Era a hora do Santo André atacar e fazer jus ao homem a mais que tinha em campo.

Determinada, a equipe fez o que dela se esperava. Bruno César fez uma linda jogada no meio-campo, puxou o contra-ataque, tabelou com o lateral Carlinhos e deixou Branquinho livre para marcar o terceiro do Ramalhão, aos 43 minutos.

O primeiro tempo terminou e a vantagem era andreense. Depois de um grande jogo na primeira etapa, os 45 minutos finais tinham tudo para confirmar um jogo épico num Pacaembu lotado por mais de 36 mil torcedores.

O segundo tempo começou da mesma forma que terminou o primeiro, com o Santo André melhor em campo e o Santos tentando parar os rápidos contragolpes do adversário. Logo aos cinco minutos, Bruno César deu uma caneta no meio-campo e fez um precioso lançamento para Rodriguinho, que driblou o goleiro e chutou fraco para o gol, dando a chance de Arouca conseguir salvar o quarto tento dos visitantes.

Mesmo melhor em campo, a equipe do ABC não conseguia traduzir em gol as chances criadas. O destino e os ‘Deuses do Futebol’ reservaram a segunda etapa para Paulo Henrique Ganso, sem dúvidas o melhor jogador de toda a competição. Um leão em campo, Ganso, de apenas 20 anos, parecia um lorde em campo. Segurava a bola, dava dribles de efeito e não se intimidava com as duras chegadas dos zagueiros do Santo André.

Em uma das raras vezes neste ano, Dorival Júnior tirou um atacante e colocou um volante para segurar o ímpeto do adversário. Saiu Neymar e entrou Roberto Brum. O volante ficou pouco em campo, mais precisamente oito minutos. Depois de dar um carrinho por trás, Sálvio Spinola expulsou o jogador e deixou o Peixe com oito jogadores em campo.

Em total desvantagem numérica, Dorival tratou de colocar o zagueiro Bruno Aguiar no jogo. O escolhido para sair, erroneamente, foi Paulo Henrique Ganso. Porém, antes do treinador fazer a substituição errada, Ganso se recusou a sair e, como um maestro, sugeriu que treinador tirasse o atacante André. Dorival seguiu a opção de Ganso e sacou André. Outro lance genial do jogador, dessa vez sem a bola no pé. Mesmo jovem, Ganso mostrou personalidade e chamou a responsabilidade, demonstrando ser um jogador pronto e maduro, que se não for convocado para a Copa do Mundo, será uma injustiça das mais tremendas.

O Ramalhão foi para o tudo ou nada. Um gol daria o título e por pouco, muito pouco, o Santo André não fez história. Rodriguinho chutou uma bola na trave aos 45 minutos da etapa final e assustou o Pacaembu.

Mas nada, NADA, tiraria esse título do Santos. O árbitro terminou o jogo e o Peixe conquistou o 18º título de sua história.

De fato os jogos finais foram emocionantes. Mostraram um Santo André determinado, altamente competitivo e com muitos jogadores qualificados que reforçarão outros clubes brasileiros nos próximos dias. O goleiro Júlio César, os meias Branquinho e, principalmente, Bruno César, além dos atacantes Nunes e Rodriguinho cumpriram muito bem seus papéis no torneio. Não levaram a taça, mas perderam de cabeça erguida e jogando um ótimo futebol. Entretanto, o técnico Sérgio Soares merece os parabéns por ter montado uma bela equipe e por se mostrar um grande talento a beira do gramado.

Já o Santos mereceu completamente a conquista. Todo o grupo, todos os jogadores. Passearam e deram show com a bola nos pés. Encantaram e acabaram com todos os adversários. Um ataque magnífico e uma defesa que, se não é brilhante, também conseguiu ajudar o time. Dorival Júnior também merece destaque por ter regido a ‘orquestra’ santista. Porém, Neymar e Ganso sobraram no Paulistão-10. A jovem dupla foi muito importante na conquista e mostrou que o futebol truculento não tem vez quando a habilidade e a ousadia brasileira estão em campo. Se Dunga tiver um mínimo de juízo, não hesitará em convocá-los para o mundial daqui a nove dias.

Felipe, Pará, Wesley, Durval, Edu Dracena, Léo, Germano, George Lucas, Arouca, Marquinhos, Robinho, Neymar, André, Paulo Henrique Ganso, Mádson, Bruno Aguiar, Rodrigo Mancha, Giovanni, Zé Eduardo, Marcel, Maikon Leite e Dorival Júnior. Todos os ‘Meninos da Vila’ merecem os parabéns pela conquista.

Parabéns, Santos Futebol Clube! E como diz o hino do clube: “Glorioso alvinegro praiano, campeão absoluto desse ano”.

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A decisão do Campeonato Paulista de 2010 tinha tudo para ser mais um show dos ‘Meninos da Vila’. Mas os prognósticos antecipados não se concretizaram na tarde deste domingo, no Estádio do Pacaembu. Em jogo muito disputado, o Santo André provou que a ótima campanha no Paulistão-10 não foi por acaso. Bem organizada, a equipe do ABC jogou melhor no primeiro tempo, abriu o placar, tomou a virada na segunda etapa e ainda achou forças para reagir e ser derrotado por apenas um gol: 3 a 2.

Com as equipes titulares em campo, Santos e Santo André começaram a disputa em ritmo acelerado. Com dois minutos de jogo, cada equipe já havia criado uma boa chance para abrir o placar. Aos poucos, a partida foi se desenhando de uma forma positiva para o Ramalhão, que dominou o meio de campo com forte marcação e rápidos contragolpes.

Enquanto o Santo André mandava no jogo, o Santos viu um de seus principais jogadores se contundir num lance dentro da área adversária. Neymar tentou uma jogada pelo lado direito, se desequilibrou e caiu no gramado. A mão do próprio atleta se chocou com o olho e o jovem precisou de atendimento médico. Minutos depois voltou para o gramado, mas pouco produziu.

O Ramalhão continuava procurando o gol, que saiu aos 35 minutos. O meia Bruno César cobrou falta por fora da barreira e abriu o marcador. Mostrando muita qualidade, a equipe do técnico Sérgio Soares não recuou e foi em busca do segundo gol em pelo menos duas boas oportunidades, mas Rômulo e Nunes desperdiçaram.

Na saída para o intervalo, Neymar previu que não poderia retornar para o segundo tempo, alegando estar com a vista embaçada. E isso se concretizou na volta das equipes ao gramado. Dorival Júnior colocou o atacante André em campo e acertou em cheio na decisão. O Santos melhorou muito e passou a dominar a partida.

Aos 13 minutos, já jogando um futebol envolvente, o Peixe empatou. Paulo Henrique Ganso recebeu a bola dentro da área, fez o que quis e cruzou na medida para André marcar o gol de cabeça. Quatro minutos depois veio a virada. André começou a jogada no meio-campo com um lindo passe de calcanhar para Wesley, que avançou, tabelou com Robinho e na cara do gol não desperdiçou. As coisas estavam voltando ao normal. O Santos era mortal nos contra-ataques e o Santo André lutava como podia. A qualidade dos ‘Meninos da Vila’ resultou em mais um tento. Aos 25 minutos, Wesley partiu livre pela direita e marcou o terceiro santista.

Os mais de 33 mil torcedores presentes no Pacaembu pareciam já saber que outra goleada alvinegra aconteceria. Mas não foi isso que aconteceu. O Santo André não desistiu da partida e, depois do susto da virada, se postou bem novamente e equilibrou o jogo. Nem a expulsão do zagueiro Toninho abalou o Ramalhão. Depois de uma série de investidas, a equipe do ABC conseguiu diminuir o placar aos 38 minutos, com um gol do artilheiro Rodriguinho.

O jogo terminou 3 a 2 para o Santos, mas quem surpreendeu foi o Santo André. Jogando um bom futebol durante toda a partida, o time conseguiu até ser superior ao Peixe em alguns momentos. Muito aguerrido, com uma boa dupla de volantes e os arranques do meia Bruno César, aliás, jogador este que demonstra muita lucidez e agilidade com a bola e já desperta interesse de grandes clubes do Brasil, e com Rodriguinho no ataque, jogador forte e raçudo, daqueles que não desistem facilmente das jogadas, o Santo André tem realmente uma ótima equipe, que possivelmente será desmontada após o torneio.

Mas nem uma equipe boa e lutadora foi capaz de parar o Santos. E é pouco provável que a grande sensação do campeonato não termine com o título da competição no próximo domingo, em jogo que também será disputado no Pacaembu. O Peixe dispensa apresentações e será campeão, mas o Santo André demonstrou em campo que foi o time que chegou mais próximo em qualidade técnica do futuro campeão paulista de 2010.

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