Feeds:
Posts
Comentários

Posts Tagged ‘Joanesburgo’

Holanda 0 X 1 Espanha

A grande decisão da Copa do Mundo de 2010 não poderia ser mais emocionante. Enquanto muitos favoritos caíram pouco a pouco, duas seleções taxadas como ‘amarelonas’ apresentaram bom futebol e chegaram à final do torneio. A Holanda, que havia vencido todos os seis jogos que disputou no Mundial, vinha de uma incrível marca de 25 jogos sem derrota. A Espanha, por sua vez, chegou à África do Sul como a principal favorita ao troféu, mas a derrota na estreia para a Suíça colocou o poderio da ‘Fúria‘ em dúvida e tudo levava a crer que, mais uma vez, os espanhóis ficariam pelo meio do caminho.

Enquanto a Seleção Espanhola já entrara para a história por ter chegado pela primeira vez numa final de Copa do Mundo, os holandeses, que disputavam sua terceira (foram derrotados por Alemanha e Argentina, em 1974 e 1978, respectivamente), queriam, enfim, conquistar o tão almejado título. O duelo europeu, disputado no estádio Soccer City, em Joanesburgo, foi bastante truncado, em certas vezes até violento, e, pelo amplo domínio em grande parte do jogo, os espanhóis conseguiram de forma sofrida vencer por 1 a 0 e entraram de uma vez por todas no seleto grupo de seleções campeões mundiais.

A Espanha já era favorita muito antes da Copa do Mundo começar. Depois de conquistar o título da Eurocopa de 2008 com uma equipe recheada de bons talentos, a ‘Fúria’ se credenciou como forte candidata ao troféu e nem o fracasso na Copa das Confederações em 2009 foi capaz de abalar o otimismo dos comandados do técnico Vicente Del Bosque. O MFC, inclusive, um ano atrás, já alertava sobre a força dos espanhóis. Com o título de “A furiosa seleção espanhola”, o post classificava a Espanha como a melhor seleção do mundo e enfatizava que, se o grupo fosse mantido, as chances de  conquistarem o inédito título eram muito grandes (leia o antigo post clicando aqui).

Sem desfalques, os treinadores Vicente Del Bosque e Bert Van Marwijk puderam mandar a campo seus principais atletas. Desde o começo da partida, ficou evidente que a Holanda mudou sua postura em relação as últimas apresentações. Enquanto a Espanha fazia seu jogo tradicional, trocando muitos passes para tentar furar o bloqueio holandês, a ‘Laranja Mecânica‘ ficava completamente retrancada e perdia sua qualidade no meio campo.

Logo aos quatro minutos, por muito pouco a Espanha não abriu o placar, em cabeçada certeira de Sergio Ramos e uma defesa espetacular de Stekelenburg. Aos dez, Sergio Ramos fez boa jogada pela direita, pedalou, invadiu a área e bateu cruzado, mas Heitinga tirou para escanteio. No minuto seguinte, David Villa pegou de primeira, de dentro da área, e mandou a bola na rede pelo lado de fora, assustando o goleiro holandês. Daí para frente, o que se viu foi um jogo completamente faltoso, com muitos lances ríspidos que deram trabalho para o árbitro inglês Howard Webb. A Seleção Holandesa era a mais desleal. Van Bommel, Robben e, principalmente, De Jong, fizeram faltas feias e foram punidos pelo juiz.

Aos 34 minutos, um lance curioso quase deu a vantagem para a Holanda. Num ato de fair play, Heitinga deu um chutão para frente para devolver a posse de bola para a Espanha, mas a bola fez uma curva incrível e por muito pouco não enganou o goleiro Iker Casillas, que precisou mandá-la para escanteio e, aí sim, Van Persie devolveu de forma correta para os espanhóis.

Dois minutos depois, a Seleção Holandesa desperdiçou uma grande chance de abrir o marcador. Robben cobrou escanteio rasteiro, Van Bommel bateu cruzado da entrada da área e, Mathijsen, sozinho, furou e não conseguiu concluir ao gol. A equipe holandesa teve sua principal chance na primeira etapa aos 45 minutos. Robben fez sua tradicional jogada, avançou pela direita, cortou para o meio e bateu firme de esquerda, mas Casillas caiu bem e fez boa defesa.

Sem alterações, as equipes voltaram para o segundo tempo mais dispostas. Aos dois, Xavi cobrou escanteio, Puyol desviou de cabeça e Capdevila, de forma incrível, furou dentro da pequena área. Com a Holanda se preocupando menos em bater e mais em jogar futebol, o talento começou a aparecer. Aos 16 minutos, Sneijder dominou a bola antes da linha do meio de campo, viu Robben correr e, numa bela enfiada, tocou a bola entre quatro jogadores espanhóis. O craque do Bayern de Munique avançou sozinho, demorou muito para concluir e chutou em cima de Casillas, que com o pé fez uma defesa espetacular e evitou o gol holandês.

Percebendo a falta de ofensividade, Vicente Del Bosque tirou o inoperante Pedro Rodríguez e colocou Jesús Navas em seu lugar. Logo em seu primeiro lance, aos 23, o atacante do Sevilla avançou pela direita e chutou cruzado para o meio da área. O artilheiro David Villa apareceu sozinho atrás da zaga adversária e, de dentro da pequena área, chutou, mas Heitinga conseguiu intervir deitado no gramado e mandou a bola para escanteio.

A Espanha melhorou na partida novamente e pressionou a Holanda. Aos 31, Xavi cobrou escanteio, Sergio Ramos subiu sozinho e mandou de cabeça por cima da meta. Os holandeses pareciam querer apenas se defender e apostar nos contra-golpes. Aos 37, Robben perdeu outra incrível chance. Numa rápida jogada, Van Persie deu um despretensioso toque de cabeça para o ataque, o meia holandês correu muito, tomou a frente de Puyol e, na cara de Casillas, viu o goleiro operar outro milagre e sair para pegar a bola nos seus pés.

Com a igualdade no placar, a decisão do título foi para a prorrogação. Devido a intensidade do jogo, as duas equipes pareciam muito cansadas e o mais óbvio é que o campeão saísse apenas na disputa por pênaltis. Mas a Espanha continuou procurando mais o jogo e usou suas últimas forças para buscar o gol. Aos cinco, Iniesta deu um passe açucarado para Fàbregas, que havia entrado no lugar do volante Xabi Alonso. O jovem jogador do Arsenal chutou fraco e Stekelenburg defendeu com os pés. Aos dez, Jesús Navas avançou pela direita e chutou forte, a bola desviou em Van Bronckhorst e saiu pela linha de fundo.

O segundo tempo da prorrogação teve o mesmo cenário. A ‘Fúria‘ dominava o jogo e tentava de todas as formas abrir o marcador, enquanto os holandeses ficavam retrancados e, cansados, não conseguiam mais emplacar os contra-ataques. De tanto insistir, a Espanha foi premiada a cinco minutos do fim. Fernando Torres, que substituiu David Villa, começou a jogada pela esquerda. Lançou a bola para a área, mas o zagueiro tirou. No rebote, Fàbregas dominou e, de forma magistral, encontrou Iniesta, que não titubeou e mandou uma bomba para fazer o gol da vitória, o gol do inédito título, o gol mais importante da história do futebol espanhol.

Restando poucos minutos para o final, a Holanda não tinha mais forças para reagir. As câmeras de televisão flagravam o desespero de Robben e Sneijder, que entregaram os pontos e já se lamentavam ainda enquanto a bola rolava. Do outro lado, Casillas chorava e parecia ainda não entender o tamanho da façanha que ele e seus companheiros acabavam de fazer.

O jogo terminou e os jogadores da Espanha comemoraram muito. Entre choro de alegria e êxtase, a maioria dos 84.490 torcedores presentes no estádio aplaudiram de pé a conquista espanhola. O título foi totalmente merecido, já que a Seleção Espanhola está apresentando o melhor futebol do mundo há pelo menos dois anos. A geração de Iker Casillas, Sergio Ramos, Carles Puyol, Gerard Piqué, Joan Capdevila, Xabi Alonso, Sergio Busquets, Andrés Iniesta, Xavi Hernández, David Villa, Pedro Rodríguez, Raul Albiol, Carlos Marchena, Fernando Torres, Cesc Fàbregas, Victor Valdes, Juan Mata, Alvaro Arbeloa, Fernando Llorente, Javier Martinez, David Silva, Jesús Navas e Pepe Reina está eternizada no mundo do futebol e, principalmente, na história do país. Depois de tantos fracassos, esses jogadores conseguiram levantar o troféu mais cobiçado do planeta bola.

Méritos também para o técnico Vicente Del Bosque, que soube mexer bem na equipe quando foi preciso, teve coragem de sacar o badalado atacante Fernando Torres e dar lugar para o jovem Pedro Rodríguez. Além de ter montado um esquema de jogo eficiente, com muita força no meio de campo e solidez na zaga. Em sete jogos, a ‘Fúria‘ obteve seis vitórias e apenas uma derrota. Fez poucos gols (oito), mas sai do Mundial com a marca de melhor defesa de todos os campeões, sofrendo apenas dois gols, igualando o recorde de França, em 1998 e Itália, em 2006.

Parabéns, Espanha!

Anúncios

Read Full Post »

FINAL

Jogo: Holanda X Espanha
Data: 11/07/2010 (domingo)
Horário: 15h30
Local: Estádio Soccer City, em Joanesburgo

Campanha da Holanda: 6 jogos (Vitórias: 6 / Gols pró: 12 / Gols contra: 5)
Campanha da Espanha: 6 jogos (Vitórias: 5 / Derrotas: 1 / Gols pró: 7 / Gols contra: 2)
Histórico em Copas do Mundo: Nunca se enfrentaram
Histórico do confronto: 9 jogos (Holanda: 4 / Empates: 1 / Espanha: 4)

——————————————————————————————————————————
Conheça as estatísticas das seleções finalistas do Mundial:

Melhor ataque: Holanda (12 gols)
Melhor defesa: Espanha (2 gols sofridos)
Artilheiro: Wesley Sneijder/Holanda e David Villa/Espanha (5 gols cada)
Maior número de faltas cometidas: Holanda – 98 (média: 16,3 por jogo)
Maior número de faltas sofridas: Espanha – 106 (média: 17,6 por jogo)
Mais indisciplinada: Holanda – 15 amarelos (média: 2,5 cartões por jogo)
Mais disciplinada: Espanha – 3 amarelos (média: 0,5 cartões por jogo)
Maior número de finalizações: Espanha – 103 (média: 17,2 por jogo)
Maior número de chutes a gol: Holanda – 41 (média: 6,8 por jogo)
Menor número de finalizações: Holanda – 80 (média: 13,3 por jogo)
Menor  número de chutes a gol: Espanha – 40 (média: 6,6 por jogo)
Maior número de desarmes: Holanda – 53 (média: 8,8 por jogo)
Menor número de desarmes: Espanha – 38 (média: 6,3 por jogo)
Maior número de passes: Espanha – 3.387 (média: 564,5 por jogo)
Menor número de passes: Holanda – 2.434 (média: 405,6 por jogo)
Maior distância percorrida: Espanha – 631,03 (média: 105,2 km por jogo)
Menor distância percorrida: Holanda – 617,62 (média: 102,9 km por jogo)

Read Full Post »

Alemanha 0 X 1 Espanha

Enquanto a Holanda fez sua parte ontem ao vencer o Uruguai, hoje era a vez de alemães e espanhóis lutarem pela outra vaga na grande decisão da Copa do Mundo de 2010. Os germânicos apresentaram o melhor futebol do Mundial até aqui e, aos poucos, se credenciaram ao título. Do outro lado, a Espanha, que desembarcou na África do Sul como a principal favorita, não empolgou como o previsto, mas seu futebol de resultados o colocou na semifinal. O palco do duelo foi o belo estádio Moses Mabhida, em Durban, e o confronto europeu tinha tudo para ser um dos grandes jogos do torneio.

Devido a forte marcação das duas equipes, o jogo não foi o espetáculo esperado, mas a eficiência e o jogo coletivo prevaleceram em favor da ‘Fúria‘, que venceu por 1 a 0, eliminou a Alemanha e, pela primeira vez na história, chegou a uma final de Copa do Mundo.

Antes de a bola rolar vieram as primeiras surpresas. O técnico alemão Joachim Löw foi obrigado a mudar a sua equipe, já que Thomas Müller, a grande sensação do torneio, estava suspenso. Em seu lugar, Löw colocou o também jovem Trochowski. Vicente Del Bosque, por sua vez, não tinha jogadores suspensos, mas resolveu tirar o atacante Fernando Torres do time titular e deu uma vaga para a revelação do Barcelona, Pedro Rodríguez.

Quando o jogo começou, outras surpresas continuaram aparecendo. A Alemanha, que até aqui ainda não havia sido atacada por seus adversários, viu logo de cara a Espanha vir com tudo para cima. Os espanhóis diminuíram os espaços e, marcando forte, anularam a principal arma dos germânicos: os contra-ataques. Com a habitual troca de passes, a ‘Fúria‘ teve sua primeira chance aos seis minutos. Pedro lançou entre os zagueiros alemães e encontrou David Villa sozinho na área. O artilheiro da Copa se esticou todo, mas o goleiro Neuer saiu bem do gol e evitou que o placar fosse aberto.

A cada minuto que se passava ficava nítido que Vicente Del Bosque dava um ‘nó tático’ na Alemanha. Sua formação e seu esquema foram preponderantes no jogo. Busquets e Xabi Alonso não davam espaços para os criativos Özil e Podolski, enquanto Xavi não desgrudava de Schweinsteiger e ainda conseguia criar lances perigosos. Aos 14 aconteceu a melhor chance do primeiro tempo. Xavi cruzou a bola da direita e Puyol cabeceou com muito perigo, mas a bola passou por cima da meta alemã.

A primeira parte do duelo terminou com a vantagem espanhola, que se apresentou melhor e pareceu se dar bem jogando na condição de coadjuvante. Por a Alemanha ser tricampeã mundial, uma das seleções mais respeitadas e que vinha de bons jogos no torneio, toda a responsabilidade era dos germânicos. Sem a pressão, a Espanha melhorou ainda mais o seu futebol na segunda etapa.

Pedro começou o segundo tempo infernizando o lado esquerdo da defesa adversária. Rápido e habilidoso, o espanhol deu muito trabalho para Boateng, tanto que Joachim Löw percebeu a tempo e sacou o jogador e colocou Jansen em seu lugar. A Espanha retornou do intervalo disposta a conseguir seu resultado histórico e aos poucos foi preparando o terreno. Aos 13, depois de ótima troca de passes, Xavi chutou e Neuer defendeu. No rebote, Xabi Alonso tocou de calcanhar para Iniesta, que avançou e, sem ângulo, chutou cruzado para o meio da área, mas David Villa não alcançou.

Nos minutos seguintes, a Espanha continuou insistindo, mas Xabi Alonso e David Villa desperdiçaram suas oportunidades. Foi então que, aos 23 minutos, a ‘Fúria‘ foi premiada pelo melhor futebol e abriu o placar. Xavi cobrou escanteio da esquerda, o zagueiro Puyol subiu e, com muita força, testou a bola para o fundo do gol, sem chances de defesa para o goleiro alemão.

Depois de sofrer o gol, a Alemanha saiu de trás e buscou desesperadamente o empate, mas, além de não conseguir, ainda deixou espaços para o contra-ataque espanhol. Em um lance, já no final da partida, Pedro avançou, viu seu companheiro Fernando Torres (que havia entrado no lugar de David Villa) correr sozinho ao seu lado, tentou o drible e perdeu a bola, enlouquecendo o atacante do Liverpool. A chance perdida não fez falta a ‘Fúria‘, que continuou com a mesma postura, não cedeu a pressão do adversário e, de forma honrosa, chegou pela primeira vez na história em uma decisão de Mundial.

O grande duelo decisivo da Copa do Mundo de 2010 acontecerá no próximo domingo (dia 11/07), às 15h30, no estádio Soccer City, em Joanesburgo. Holanda e Espanha jogarão para colocarem o nome de seus países na história do futebol mundial, já que ambos jamais venceram a competição. Independente de quem saía da África do Sul com o título, holandeses e espanhóis fizeram por merecer suas vagas na final, se não encantaram com um futebol brilhante, foram eficientes ao extremo, deixaram rivais para trás e agora estão a 90 minutos da glória.

Read Full Post »

Argentina 0 X 4 Alemanha

O duelo de duas potências do futebol mundial válido pelas quartas de final da Copa do Mundo tinha tudo para ser o grande jogo da competição. De um lado, uma Argentina empolgada e parecendo viver uma lua de mel com seu treinador Diego Maradona. Do outro, uma Alemanha renovada com um futebol rápido e envolvente. Porém, o que se viu no gramado do estádio Green Point, na Cidade do Cabo, foi uma avalanche alemã que atropelou os argentinos sem dó nem piedade e venceu facilmente por 4 a 0.

Antes mesmo do início da partida, Maradona deve ter se preocupado e rezado muito por seus defensores. Os resultados positivos contra seleções medianas até então, escondiam um problema crônico da atual Seleção Argentina: a defesa. O sistema defensivo formado por um goleiro fraco e zagueiros lentos, seria o prato cheio para a habilidade e velocidade dos jovens da Alemanha. E isso se comprovou logo aos dois minutos. Schweinsteiger cobrou falta pela esquerda, a zaga argentina ficou só olhando e Thomas Müller, de cabeça, antecipou o goleiro Sergio Romero para abrir o marcador. O começo fulminante dos europeus assustou os sul-americanos.

Prensados no campo de defesa, os argentinos não conseguiam criar jogadas ofensivas e esbarravam na forte marcação da Alemanha. Acusando o golpe, a Argentina quase levou o segundo gol aos 23 minutos. Müller fez boa jogada pela direita e rolou a bola para Klose, que finalizou para fora e desperdiçou grande oportunidade. Como não poderia deixar de ser, todas as tentativas dos argentinos passavam pelos pés de Messi, que recebia marcação de dois ou três adversários e, assim, não conseguia criar suas tradicionais jogadas.

Aos 33, num dos raros momentos interessantes, Higuaín recebeu a bola dentro da área, girou e bateu no canto, mas Neuer defendeu. No minuto seguinte, Messi cobrou falta e a bola bateu na barreira. No rebote, Heinze dominou e lançou para Tevez, que passou para Higuaín marcar o gol. Porém, o árbitro Ravshan Irmatov, do Uzbequistão, invalidou o tento acertadamente, já que Tevez e Higuaín estavam impedidos no lance.

O primeiro tempo terminou com a vantagem alemã. Assim, restavam 45 minutos para a Argentina melhorar seu futebol e tentar a virada. Entretanto, os planos dos sul-americanos foram ruíndo pouco a pouco. Com a postura diferente, os argentinos tiveram ao menos cinco chances de empatar o jogo até os 20 minutos, mas a falta de pontaria não assustou o goleiro alemão. Se aproveitando dos erros do rival, a Alemanha tratou de resolver o jogo. E o segundo gol saiu com imensa facilidade. Aos 22, Müller conseguiu tocar a bola mesmo caído para Podolski, que avançou sem marcação, esperou Klose se posicionar e só rolou para o artilheiro fazer o segundo dos germânicos.

Percebendo a fragilidade do adversário, os alemães sentiram que poderiam fazer mais gols. E fizeram mesmo. Aos 28 minutos, Schweinsteiger fez uma brilhante jogada pela esquerda, driblou três argentinos e, na saída do goleiro, só rolou para Friedrich mandar para o fundo do gol. O placar apontava 3 a 0 e cabia mais. Atônita, a Argentina sentiu o baque e passou a assistir o show da equipe de Joachim Löw. Aos 35, Podolski quase marcou o seu, em chute forte de fora da área bem defendido por Romero.

Mas aos 43 minutos, os argentinos não conseguiram escapar do quarto gol alemão. Em rápido contra-ataque, Podolski avançou com a bola, passou para Özil cruzar e encontrar Klose sozinho na área. O jogador, com a calma peculiar de um matador, tocou de primeira e fez o quarto. O gol fechou o caixão argentino neste Mundial, colocou o alemão na vice-artilharia do torneio, com quatro gols e, de quebra, atingiu à marca de 14 tentos na história das Copas do Mundo, se igualou ao seu compatriota Gerd Müller e ficou a apenas um gol de Ronaldo, o maior artilheiro de todas as competições.

A contundente vitória alemã provou que a renovação feita por Joachim Löw, de fato, foi positiva. Depois de um início avassalador na estreia da Copa, a Alemanha teve sua qualidade colocada à prova após perder para a Sérvia. Mas, de lá para cá, o que se viu foram grandes atuações dos germânicos. Thomas Müller e Özil são as grandes revelações do torneio, enquanto Podolski e Schweinsteiger são os maestros do time, além do já conhecido faro de gol do artilheiro Miroslav Klose. Assim, a equipe europeia aparece como a grande favorita para levar a taça neste ano e conquistar seu tetracampeonato.

Aos argentinos, só restam as lágrimas. O semblante de Maradona ao término da partida evidenciava o estrago que os alemães fizeram. O ex-jogador confiava demais na conquista de uma Copa do Mundo como treinador. Apostava em sua principal estrela, Lionel Messi, que nada fez no Mundial. A Argentina segue em sua sina de não conseguir um bom resultado sequer há 20 anos, desde a Copa da Itália, em 1990, quando foram derrotados pelos mesmos adversários de hoje na decisão.

Paraguai 0 X 1 Espanha

O jogo decisivo entre paraguaios e espanhóis no Ellis Park, em Joanesburgo, tinha um roteiro anunciado antecipadamente. Se tudo corresse dentro dos conformes, a Espanha venceria facilmente o Paraguai, que teve seu méritos ao chegar até as quartas de final, mas que, ao mesmo tempo, atingiu esta fase como a pior equipe entre as finalistas. Como o futebol é um esporte totalmente imprevísivel, os europeus estiveram perto de perder a vaga na semifinais e, depois de uma reviravolta, conseguiram vencer com muito suor o adversário por 1 a 0 e obtiveram a classificação.

O primeiro tempo da partida foi amarrado demais. Os paraguaios apresentaram novamente seu conhecido ferrolho e impuseram muitas dificuldades aos espanhóis. Dessa forma, nenhuma chance real de gol foi criada e os goleiros foram meros espectadores do jogo. Parecia que toda a emoção estava reservada para a segunda etapa.

Aos 11 minutos, Edgar Barreto cobrou escanteio da esquerda e, enquanto a bola viajava pela área, o zagueiro Piqué agarrou Cardozo. O árbitro não hesitou ao marcar o pênalti e o próprio Cardozo bateu e viu Iker Casillas defender. O atacante desperdiçou uma chance e tanto de ver sua equipe continuar fazendo história nos gramados da África do Sul.

Após a defesa da penalidade, Casillas lançou a bola para o campo de ataque e, de forma incrível, David Villa avançou e foi derrubado por Alcaraz dentro da área. O árbitro guatemalteco Carlos Batres exagerou e marcou outro pênalti. Xabi Alonso cobrou e fez o gol, mas o juiz mandou voltar por ter visto uma invasão na área. Assim, o espanhol cobrou de novo e Justo Villar defendeu. Em um minuto, o jogo chato se transformou e ganhou emoção para todos os gostos. Com os erros de Cardozo e Xabi Alonso, o placar persistiu e quem se saiu bem foram os goleiros.

Com tantas emoções, o jogo melhorou consideravelmente. O Paraguai resolveu sair de trás e a partida ficou aberta. Com a habitual troca de passes, os espanhóis foram com tudo em busca do gol. Aos 17, depois de rápido contra-ataque, Iniesta chutou colocado e Villar fez boa defesa. O gol saiu, enfim, somente aos 37 minutos. Depois de boa triangulação no meio campo, Fábregas tocou para Xavi, que passou para Iniesta. O jogador do Barcelona avançou, driblou dois paraguaios e rolou para Pedro chutar a bola na trave. No rebote, David Villa bateu de primeira e, caprichosamente, a bola tocou nas duas traves antes de entrar. Foi o quinto tento anotado por Villa na Copa do Mundo em cinco partidas disputadas. Assim, o atacante espanhol é o artilheiro isolado do torneio.

Depois de sofrer o gol, o time sul-americano não teve forças para reagir e, dessa forma, se despediu da Copa do Mundo de forma honrosa. Além de ter chegado às quartas de final pela primeira vez na história, os paraguaios venderam caro a derrota para a favorita Espanha, que segue firme no Mundial em busca do inédito feito. Com a vitória, a ‘Fúria‘ quebrou uma marca que já durava 60 anos. A primeira e única vez que os espanhóis chegaram a uma semifinal de Copa do Mundo, aconteceu no longínquo ano de 1950, quando a competição foi disputada no Brasil.

Assim, o que tinha tudo para ser uma Copa América com grife, cada vez mais se transforma numa Eurocopa. O clássico europeu entre Alemanha e Espanha vale uma vaga na decisão do Mundial e acontecerá na próxima quarta-feira (7/7), no estádio Moses Mabhida, em Durban, às 15h30. Os alemães tentam chegar à oitava final de Copa do Mundo, enquanto os espanhóis buscam a primeira.

Read Full Post »

QUARTAS DE FINAL

Jogo: Holanda X Brasil
Data: 02/07/2010 (sexta-feira)
Horário: 11h
Local: Estádio Nelson Mandela Bay, em Porto Elizabeth

Campanha da Holanda: 4 jogos (Vitórias: 4 / Gols pró: 7 / Gols contra: 2)
Campanha do Brasil: 4 jogos (Vitórias: 3 / Empates: 1 / Gols pró: 8 / Gols contra: 2)
Histórico em Copas do Mundo: 3 jogos (Holanda: 1 vitória / Brasil: 2 vitórias)
Histórico do confronto: 9 jogos (Holanda: 2 / Empates: 4 / Brasil: 3)

——————————————————————————————————————————
Jogo: Uruguai X Gana
Data: 02/07/2010 (sexta-feira)
Horário: 15h30
Local: Estádio Soccer City, em Joanesburgo

Campanha do Uruguai: 4 jogos (Vitórias: 3 / Empates: 1 / Gols pró: 6 / Gols contra: 1)
Campanha de Gana: 4 jogos (Vitórias: 2 / Empates: 1 / Derrotas: 1 / Gols pró: 4 / Gols contra: 3)
Histórico em Copas do Mundo: Nunca se enfrentaram
Histórico do confronto: Nunca se enfrentaram

——————————————————————————————————————————
Jogo: Argentina X Alemanha
Data: 03/07/2010 (sábado)
Horário: 11h
Local: Estádio Green Point, na Cidade do Cabo

Campanha da Argentina: 4 jogos (Vitórias: 4 / Gols pró: 10 / Gols contra: 2)
Campanha da Alemanha: 4 jogos (Vitórias: 3 / Derrotas: 1 / Gols pró: 9 / Gols contra: 2)
Histórico em Copas do Mundo: 5 jogos (Argentina: 1 vitória / Empates: 1 / Alemanha: 3 vitórias)
Histórico do confronto: 18 jogos (Argentina: 8 / Empates: 5 / Alemanha: 5)

——————————————————————————————————————————
Jogo: Paraguai X Espanha
Data: 03/07/2010 (sábado)
Horário: 15h30
Local: Estádio Soccer City, em Joanesburgo

Campanha do Paraguai: 4 jogos (Vitórias: 1 / Empates: 3 / Gols pró: 3 / Gols contra: 1)
Campanha da Espanha: 4 jogos (Vitórias: 3 / Derrotas: 1 / Gols pró: 5 / Gols contra: 2 )
Histórico em Copas do Mundo: 2 jogos (Espanha: 1 vitória / Empates: 1)
Histórico do confronto: 3 jogos (Espanha: 1 / Empates: 2)

——————————————————————————————————————————
Conheça as estatísticas das oito seleções postulantes ao título do Mundial:

Melhor ataque: Argentina (10 gols)
Melhor defesa: Uruguai e Paraguai (1 gol sofrido)
Artilheiros: Higuaín (Argentina) e David Villa (Espanha) – 4 gols cada
Maior número de faltas cometidas: Paraguai – 72 (média: 18 por jogo)
Maior número de faltas sofridas: Espanha – 74 (média: 18,5 por jogo)
Mais indisciplinada: Alemanha – 7 A e 1 V (média: 2 cartões por jogo)
Mais disciplinada: Espanha – 1 amarelo (média: 0,25 cartões por jogo)
Maior número de finalizações:
Argentina – 75 (média: 18,7 por jogo)
Maior número de chutes a gol: Argentina – 36 (média: 9 por jogo)
Menor número de finalizações: Paraguai – 54 (média: 13,5 por jogo)
Menor  número de chutes a gol: Gana – 20 (média: 5 por jogo)
Maior número de desarmes: Uruguai – 58 (média: 14,5 por jogo)
Menor número de desarmes: Argentina – 18 (média: 4,5 por jogo)
Maior número de passes: Espanha – 2.265 (média: 566,2 por jogo)
Menor número de passes: Uruguai – 1.055 (média: 263,7 por jogo)
Maior distância percorrida: Gana – 445,84 (média: 111,4 km por jogo)
Menor distância percorrida: Argentina – 393,44 (média: 98,3 km por jogo)

Read Full Post »

Paraguai 0 (5) X (3) 0 Japão

Antes mesmo de a bola rolar já era possível imaginar que este seria o confronto mais fraco das oitavas de final. E, de fato, foi isso que aconteceu. A partida disputada em Pretória apresentou um Japão completamente retrancado, contra um Paraguai mais qualificado, mas com pouca força ofensiva. Assim, o resultado final não poderia ser outro: 0 a 0. Com o empate no tempo normal, asiáticos e sul-americanos jogaram a prorrogação por 30 minutos e também não conseguiram abrir o placar. A decisão foi para os pênaltis e o Paraguai levou a melhor, venceu por 5 a 3 e carimbou uma vaga nas quartas de final da Copa do Mundo, algo inédito para o país.

O técnico Takeshi Okada até tinha bons talentos nas mãos, mas novamente preferiu armar o time com forte esquema defensivo, num medroso 4-5-1. Com o ferrolho oriental, Endo, Hasebe e Honda pouco puderam produzir. Com o meio de campo completamente povoado, a primeira chance real de gol aconteceu somente aos 19 minutos. O argentino naturalizado paraguaio Lucas Barrios recebeu a bola dentro da área, com um belo giro se livrou dos marcadores e, de bico, chutou para o gol, mas o goleiro Kawashima defendeu e afastou o perigo.

A resposta japonesa veio dois minutos depois e, com certeza, foi a melhor chance do jogo. Honda começou a jogada pela direita, a bola bateu num jogador paraguaio e sobrou para Matsui que, de primeira, mandou um belo chute e a bola explodiu no travessão de Villar. Essa jogada resumiu todo o primeiro tempo do Japão, evidenciando a inoperância ofensiva e, no máximo, alguma qualidade na defesa.

A última boa oportunidade da fraca primeira etapa aconteceu aos 28 minutos. Em cobrança de escanteio na esquerda, a bola ficou viva na grande área japonesa e, na frente do gol, o atacante Roque Santa Cruz conseguiu chutar para fora. O Paraguai só foi superior nos primeiros 45 minutos mais pela fraca atuação do adversário do que por sua postura em campo.

As equipes voltaram do intervalo sem alterações, dando a entender que os dois treinadores estavam gostando do que viam. Aos 13, Morel Rodriguez cruzou a bola da esquerda, Riveros subiu mais que a zaga e, de cabeça, obrigou o goleiro japonês a fazer boa intervenção. A resposta do Japão veio três minutos depois em jogada parecida. Endo cobrou escanteio e o nipo-brasileiro Marcus Túlio Tanaka cabeceou a bola e levou perigo à meta paraguaia. Daí para frente, Paraguai e Japão pouco produziram e pareciam esperar pela prorrogação.

Com o início do tempo extra, a equipe sul-americana melhorou um pouco e começou a ser mais ousada. Essa postura fez o jogo melhorar, já que os japoneses saíram um pouco de trás e o confronto ficou mais corrido. Aos seis, Morel Rodriguez ganhou a bola na esquerda, correu para o meio e tocou para Nelson Valdez que, desequilibrado, chutou em cima de Kawashima. Dois minutos depois, Honda bateu falta de longe, a bola cruzou por toda a área e obrigou o goleiro Villar a fazer boa defesa. Aos dez minutos do segundo tempo da prorrogação, Hasebe começou a jogada pela esquerda, Okazaki deu um belo passe entre as pernas do adversário e devolveu para Hasebe, que errou a conclusão e garantiu que a decisão fosse para os pênaltis.

Nas penalidades máximas, os paraguaios começaram a série e Edgar Barreto converteu a primeira. Endo bateu bem e empatou a disputa. Lucas Barrios cobrou no canto e fez 2 a 1. Hasebe cobrou com perfeição e igualou novamente. Riveros bateu no meio e deu a vantagem para o Paraguai. Na sequência, o zagueiro Komano chutou forte e a bola bateu na trave, para desespero dos japoneses. Nelson Valdez converteu sua cobrança e aumentou o placar para 4 a 2. Honda diminuiu e Cardozo fez o último, dando a vaga para os sul-americanos.

O jogo foi fraco tecnicamente, muito pela covardia das duas equipes, que não quiseram se expuser e congestionaram o meio de campo. Porém, o resultado foi histórico para o Paraguai, que jamais conseguiu passar das oitavas de final em Copas do Mundo. A vitória nos pênaltis colocou os paraguaios nas quartas de final pela primeira vez e causou furor no país. Até o presidente Fernando Lugo se pronunciou e, emocionado, enalteceu os jogadores: “Essa alegria foi sentida por todos os paraguaios, não só em Assunção, mas no campo e na cidade. Do futebol, aprendemos que no Paraguai, sim, se pode”, orgulhou-se.

Espanha 1 X 0 Portugal

O ‘clássico ibérico’ prometia muitas emoções e, obviamente, muita rivalidade em campo. Entretanto, o que se viu no gramado do estádio Green Point foi uma Espanha bem organizada contra uma Seleção Portuguesa apagada e altamente dependente de sua maior estrela, além de apresentar um setor ofensivo muito fraco. Assim, os espanhóis foram completamente superiores, criaram muitas chances e venceram os portugueses apenas por 1 a 0, resultado esse que carimbou a vaga da ‘Fúria‘ às quartas de final.

A primeira boa oportunidade aconteceu antes do primeiro minuto da partida. O atacante Fernando Torres recebeu a bola na esquerda, iludiu dois adversários e, da entrada da área, chutou forte para o gol. O goleiro Eduardo fez ótima defesa e evitou que o placar fosse aberto. Vale ressaltar que esse foi o único bom lance de Torres no Mundial. O jogador chegou à África do Sul com muitas expectativas em torno de seu futebol, mas até o momento, pouco fez. Aos três minutos, David Villa arriscou de longe e obrigou o goleiro português a fazer outra boa defesa.

Os gajos portugueses não conseguiam sair de trás e eram facilmente envolvidos pelos adversários. Aos seis, Villa avançou pela esquerda, driblou o marcador e chutou forte para outra defesa de Eduardo. O primeiro lance perigoso de Portugal aconteceu somente aos 19 minutos. O lateral esquerdo Fábio Coentrão tocou de letra para Hugo Almeida, que rolou para Tiago. O meia bateu forte e Casillas teve trabalho para conseguir defender o chute, tanto que precisou fazer a defesa em dois tempos. Aos 27, o apagado Cristiano Ronaldo cobrou falta com efeito e o goleiro espanhol precisou se esforçar para rebater a bola e tirar o perigo da área.

O primeiro tempo terminou e ficou nítida a superioridade da ‘Fúria‘. Os espanhóis pecaram no arremate final, mas criaram boas oportunidades e não deixaram os portugueses saírem de trás. As equipes voltaram para os segundo tempo sem alterações e a postura de ambas continuou a mesma. Os lusitanos quase abriram o placar aos seis minutos, em jogada de Hugo Almeida, a bola tocou na perna de Puyol e por pouco não entrou.

Aos 12 minutos, o treinador Vicente Del Bosque, enfim, percebeu a inoperância de Fernando Torres e colocou Fernando Llorente em seu lugar. Descansado, o atacante quase abriu o placar dois minutos depois que entrou. Sergio Ramos cruzou e Llorente cabeceou firme, mas em cima de Eduardo. Mais um minuto e outra chance desperdiçada. David Villa fez sua tradicional jogada, saiu da esquerda, driblou em diagonal para o meio e chutou forte, mas a bola saiu rente a trave.

Depois de pressionar bastante, a Espanha conseguiu fazer o gol. Aos 17, Iniesta tocou para Xavi que, de calcanhar, deixou David Villa na cara do gol. O atacante do Barcelona chutou, Eduardo defendeu e no rebote o espanhol fez o gol, seu quarto tento no Mundial, algo que lhe colocou na artilharia ao lado de Higuaín, da Argentina e Vittek, da Eslováquia. A ‘Fúria‘ quase ampliou aos 24, em boa jogada de Sergio Ramos e outra maravilhosa defesa de Eduardo, que voltou a repetir a dose aos 31, em outra investida de Villa.

O jogo terminou e a vitória levou a Espanha para a próxima fase. Mesmo não apresentando um futebol convincente, os espanhóis demonstraram um jogo coletivo interessante, com jogadas por todos os lados do campo e mereceram o resultado, já que concluíram 18 vezes ao gol, contra apenas oito de Portugal. A Seleção Portuguesa decepcionou nesta Copa do Mundo. Os comandados de Carlos Queiroz só conseguiram fazer gols na Coreia do Norte, demonstrando o fraco poder ofensivo. Além disso, o time depende muito de Cristiano Ronaldo que, se bem marcado, não faz nada nas partidas.

Com os resultados de hoje, Espanha e Paraguai decidirão quem vai para as semifinais do Mundial no próximo sábado (dia 3/7), no estádio Soccer City, em Joanesburgo. O vencedor deste duelo jogará contra Argentina ou Alemanha na próxima fase do torneio.

Read Full Post »

Por: Erik Rodrigues*

Uruguai 2 X 1 Coreia do Sul

Uruguai e Coreia do Sul abriram as oitavas de final da Copa do Mundo, no estádio Nelson Mandela Bay, na cidade de Porto Elizabeth. De um lado, um surpreendente Uruguai, que terminou a primeira fase como líder de seu grupo. Do outro, o bom e rápido time sul-coreano, que vem evoluindo bastante tecnicamente. Os asiáticos vieram para a partida com uma formação mais defensiva, com cinco jogadores no meio de campo e apenas um atacante. Já o Uruguai manteve o esquema com Forlán como armador e dois atacantes, Cavani e Suarez.

No início, as duas esquipes mostraram que iriam partir pra cima. E a Coreia do Sul assustou primeiro. Em cobrança de falta, Park Chu-young acertou a trave direita do goleiro Muslera. Mas a resposta não demorou. Aos sete minutos, Forlán recebeu na esquerda, cortou o zagueiro e cruzou para a área. A bola passou por toda a defesa, pelo goleiro Sung-ryong e sobrou para Suarez que, mesmo sem ângulo, bateu de primeira e abriu o placar.

O gol deixou os sul-coreanos perdidos e o time do técnico Oscar Tabárez tocava a bola com tranquilidade. Ao adiantar a marcação, os sul-americanos obrigavam a Coreia do Sul a dar chutões da defesa direto para o ataque. Com isso, recuperavam a bola e criavam mais chances. Em uma destas oportunidades, Forlán avançou e passou para Suarez que bateu para o gol. A bola desviou no braço do meia Ki Sung-yueng, mas o juiz alemão Wolfgang Stark não marcou o pênalti. A Coreia do Sul arriscava pouco, pois estava mais preocupada em não levar o segundo gol. Em um chute de longe, Park Chu-young assustou o goleiro Muslera e essa foi a última chance da etapa inicial.

No segundo tempo, o zagueiro Godín saiu, com problemas estomacais. Victorino entrou em seu lugar. Além disso, os sul-coreanos voltaram com mais disposição para buscar o empate. O efeito deste ânimo foi logo percebido aos seis minutos. Park Chu-young recebeu sozinho na grande área, mas desperdiçou a chance. O Uruguai recuou e passou a apostar no contra-ataque. Mas os asiáticos continuaram buscando a igualdade. Park Ji-Sung teve ótima oportunidade aos treze minutos, mas Muslera fez bela defesa. Com dificuldades para trocar passes no meio campo, os uruguaios ficaram acuados.

O técnico Huh Jung-Moo colocou mais um atacante e partiu para cima do adversário. E de tanto insistir, o time asiático foi compensado. Aos 23, Muslera saiu mal do gol e Lee Chung-yong marcou. Foi o primeiro gol sofrido pelo Uruguai no Mundial. Na sequência, a Coreia do Sul quase virou. O mesmo Lee Chung-yong recebeu livre pela direita, mas chutou fraco em cima do goleiro.

O domínio sul-coreano acabou aos 27 minutos, quando Suarez, sempre ele, bateu cruzado para a defesa de Sung-ryong. Era o indício de que os uruguaios voltavam para o jogo. O começo da chuva dava o toque de dramaticidade à partida. E o gol não demorou a surgir. Suarez recebeu pela esquerda, cortou para o meio e bateu de chapa, de pé direito, com curva, no canto esquerdo do goleiro asiático. Festa e êxtase no banco de reservas e certamente por todo o Uruguai. O gol de Suárez abateu o time da Coreia do Sul. Mesmo assim, eles foram para cima, na tentativa de igualar o marcador. Aos 42, Park Chu-young teve ótima chance, mas bateu fraco. A bola ainda passou por baixo de Muslera, mas foi fraca para o gol e Lugano afastou.

Fim de jogo e festa uruguaia em Porto Elizabeth. O Uruguai, após 40 anos, está entre os oito melhores times da Copa. E tem boas chances de chegar às semifinais, algo que não consegue desde a Copa de 1970. Os asiáticos ficaram desolados pela eliminação, mas estão de parabéns, pois apresentaram um bom futebol e mantiveram a evolução de seu jogo.

Com a vitória, o Uruguai renasce para o futebol mundial. E é muito bacana ver um time, com a tradição da ‘Celeste Olímpica‘, se recuperar. Independente de vencer a Copa ou não, os uruguaios já conseguiram um feito maior: mostrar que ainda podem ser uma equipe muito competitiva, como foi por vários anos no passado. E dar ainda mais orgulho ao seu povo. Gana e Uruguai se enfrentam na próxima sexta-feira (2/7), em Joanesburgo, às 15h30.

Estados Unidos 1 X 2 Gana

Estados Unidos e Gana fizeram a segunda partida do dia pelas oitavas de final da Copa do Mundo. Os norte-americanos surpreenderam e ficaram em primeiro no grupo C, à frente da poderosa Inglaterra, com um bom futebol baseado na rápida troca de passes. Já os ganeses conquistaram a vaga ao ficar em segundo lugar no grupo D, atrás da Alemanha.

O primeiro tempo foi dominado pelos africanos, que logo aos cinco minutos fizeram o gol. Prince Boateng aproveitou o erro de Richard Clark no meio campo, avançou pela esquerda e bateu rasteiro, sem chances para Tim Howard. A vantagem deixou os sobrinhos do Tio Sam assustados e Gana partiu pra cima. Boateng, de fora da área, e Gyan, de falta, obrigaram o goleiro norte-americano a fazer defesas difíceis.

Percebendo que seu time estava dominado, o técnico dos Estados Unidos, Bob Bradley, tirou Clark e colocou Maurice Edu, aos 30 minutos. A mudança surtiu efeito, a equipe passou a trocar mais passes com calma e conseguiu chegar ao ataque. Aos 34, Findley teve ótima oportunidade, mas bateu em cima do goleiro. Na volta para o segundo tempo, Findley saiu e deu lugar para o brasileiro naturalizado norte-americano Feilhaber. E já em seu primeiro lance ele saiu na cara de Kingson, que fez milagrosa defesa. O time africano recuou para evitar o empate e apostou nos contra-ataques puxados por Gyan.

Mas os Estados Unidos estavam melhores em campo. E o resultado disso foi a jogada de Dempsey na direita. Ele recebeu na frente, tocou no meio das pernas de John Mensah e, quando invadiu a área, foi derrubado por Jonathan Mensah. Pênalti convertido por Donovan. Empolgados com o gol, os norte-americanos continuaram atacando. Aos 23, Altidore recebeu lançamento e saiu na cara de Kingson, que deu carrinho na bola e afastou o perigo. Aos 32, Bradley invadiu a área, mas chutou fraco. Mas ao invés de tocarem a bola, o time de Bob Bradley tentava o gol com chutões para a área. A tática não surtia efeito, graças à altura e força dos ganeses.

Fim do tempo normal e a partida foi para a prorrogação. Nos ‘Yankees‘, Altidore saiu para a entrada de Gomez. Mas logo no início, aos três minutos, um chutão da defesa achou o craque do time ganês, Gyan. Ele trombou com o zagueiro Bocanegra, saiu da falta, ganhou de Jay DeMerit na corrida e soltou a bomba. Gol de Gana, gol de toda a África! A partir daí, só deu Estados Unidos. Na base da pressão, os norte-americanos lançavam a bola para a área de qualquer lugar do campo. No melhor estilo argentino, Gana fazia a famosa “cera” e tentava ganhar tempo. Porém, os cruzamentos eram todos afastados pela defesa africana. Até o goleiro Howard foi para o ataque no final do jogo, mas sem sucesso.

Fim de jogo, festa de Gana em Rustemburgo. Pela terceira vez na historia, uma equipe africana chega às quartas de final. Nas arquibancadas, os torcedores ganeses comemoravam muito a conquista da vaga. Não era apenas a classificação de um time, era a classificação de um continente, pois os sul-africanos adotaram a equipe, após a eliminação dos ‘Bafana-Bafana‘. Aos Estados Unidos, mais uma vez fica a boa campanha. Após o vice-campeonato na Copa das Confederações do ano passado, os norte-americanos mostraram clara evolução. Mas ainda precisam melhorar.

* Erik Rodrigues é jornalista e são-paulino.

Read Full Post »

Older Posts »